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Blow-Up retorna aos cinemas brasileiros após 50 anos de sua estreia

Clássica leva versão restaurada da obra-prima de Michelangelo Antonioni às telonas em 8 de dezembro.
Baseado em um conto do escritor argentino Julio Cortázar, a história de "Blow-Up" gira em torno do envolvimento acidental de Thomas, um fotógrafo de moda na Swinging London, em um caso de assassinato.

Após fotografar um casal que se encontrava em um parque, Thomas é procurado pela mulher, que exigia os negativos das fotos. Instigado pela insistência da mulher, o fotógrafo amplia as imagens e as examina, descobrindo o que acredita ser um indício de um crime, capturado ao acaso por sua lente. Dessa forma, o fotógrafo acaba se envolvendo em um enigma que tenta solucionar por meio de suas fotografias.

Primeiro filme de Antonioni falado inteiramente em inglês, "Blow-up" foi de extrema importância no contexto da contracultura. Relevante não só por exibir a agitação cultural na qual Londres estava imersa na década de 1960, com participações de alguns de seus ícones, como a modelo Verushka e os Yardbirds, o filme ganhou notoriedade – e controvérsia – também pela quebra de alguns paradigmas do cinema da época, rompendo com o Código Hays ao exibir cenas de nudez frontal, algo até então inédito no cinema britânico voltado ao grande público.

 O filme foi o grande vencedor do Festival de Cannes em 1967, além de diversas outras mostras internacionais, e é considerado um dos mais relevantes da carreira de Michelangelo Antonioni. Em 8 de dezembro, o Clássica traz a versão restaurada desta obra-prima aos cinemas brasileiros.

O Diretor

Consagrado diretor italiano, Michelangelo Antonioni nasceu em Ferrada, norte da Itália, em 19 de setembro de 1912. Antes de iniciar sua carreira como cineasta, graduou-se em Economia, na Universidade de Bolonha, na mesma época em que começou a escrever sobre cinema para uma publicação local. Em 1940, mudou-se para Roma, onde se tornou, por um breve período, crítico colaborador da revista Cinema, veículo oficial do Partido Fascista, de onde foi demitido após poucos meses. Logo após, iniciou seus estudos no Centro Experimental de Cinema, na Cinecittà, onde, apesar da curta permanência, conheceu artistas com quem cooperaria futuramente, como o cineasta Roberto Rosselini, com quem escreveu seu primeiro roteiro para cinema, em 1942. A filmografia de Antonioni é uma das mais premiadas da história e a única a receber os principais prêmios dos quatro maiores festivais de cinema da Europa: Cannes, Berlim, Veneza e Locarno. 

O reconhecimento, entretanto, veio logo com o seu primeiro longa-metragem como diretor, "Cronaca di um amoré" (1950), que concedeu a Antonioni o Nastro d’Argento especial. Por "Il Grido" (1957), quinto longa de sua filmografia, recebeu o Leopardo de Ouro, prêmio máximo de Locarno. Posteriormente, por "La Notte", foi agraciado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 1961. "Il Deserto Rosso" (1964) foi o ganhador do Leão de Ouro, no Festival de Veneza. No ano de 1967, recebeu a Palma de Ouro em Cannes, por "Blow-Up". Pelo conjunto de sua obra, recebeu prêmios honorários no Festival de Veneza (1983) e no Oscar (1995). Michelangelo Antonioni morreu em 2007, aos 94 anos de idade.

Blow-Up (DCP, Reino Unido/Itália/EUA, 1966, 111 min.)
Direção: Michelangelo Antonioni
Roteiro: Michelangelo Antonioni, Tonino Guerra, Edward Bond
Direção de fotografia: Carlo Di Palma
Montagem: Frank Clarke
Música: Herbie Hancock
Produção: Carlo Ponti, Pierre Rouve
Elenco: David Hemmings, Sarah Miles, Vanessa Redgrave, Verushka



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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