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Sessão nostalgia: 35 anos sem Glauber Rocha

O Película Criativa relembra os principais momentos da carreira deste cineasta de importância mundial e figura fundamental da nossa cinematografia.
O Brasil perdeu um de seus cineastas mais importantes em 22 de agosto de 1981: Glauber Rocha faleceu no Rio de Janeiro, deixando muitos projetos não realizados, esboços, textos e uma brilhante filmografia. Ele foi o primeiro cineasta brasileiro a ganhar destaque no exterior através de produções inovadoras como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe". 

Nascido em Vitória da Conquista – Bahia, em 14 de março de 1939, Glauber Rocha realizou seu primeiro curta-metragem aos 20 anos de idade. Ele gravou "Pátio" (1959), junto de Helena Ignez, ao mesmo tempo em que ingressou na Faculdade de Direito da Bahia, que logo abandonou para iniciar uma breve carreira jornalística, em que o foco era sempre sua paixão pelo cinema.

Sua estreia em longas-metragens aconteceu com "Barravento" (1962), cujas filmagens conturbadas foram iniciadas por Luiz Paulino dos Santos e Glauber na produção executiva – diante destes problemas, Glauber concluiu as filmagens e reaproveitou partes do material, em sua primeira parceria com Antonio Pitanga, um dos atores constantes em sua obra. O filme recebeu o Prêmio Opera Prima no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary, na República Checa.

Sua consagração veio logo em seguida, com a repercussão do Cinema Novo e a estreia de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1963), filme que disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Mas seu trabalho foi logo consagrado no festival com as produções "Terra em transe" (1967), ganhador do prêmio FIPRESCI, e "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" (1968), ganhador do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes em 1969.

O cineasta radicalizou as experiências com o tempo cinematográfico e o improviso em "Câncer" (1972), filmado em 16mm e só concluído alguns anos depois. Diante da incessante censura imposta pelo golpe militar e a possibilidade de filmar pelo mundo, Glauber iniciou uma série de filmes coproduzidos pela Itália, França e Espanha. O longa "Cabeças cortadas" (1970) foi filmado na Espanha, enquanto as gravações de "O Leão de Sete Cabeças" (1971) aconteceram no Congo e contaram com os atores Rada Rassimov, Jean-Pierre Léaud e Hugo Carvana.

Paralelamente ele fez o documentário "História do Brasil" (1974), uma reinterpretação pessoal do país nos anos 1970. De volta, filmou o velório do pintor Emiliano Di Cavalcanti em "Di Cavalcanti" (1977), vencedor do Prêmio do Júri em Cannes. Para a televisão, ele realizou "Jorge Amado no Cinema" (1979), e atendeu ao convite de Fernando Barbosa Lima para participar do programa Abertura, na TV Tupi.

"A idade da Terra" (1980), um grandioso épico partindo da ideia da vida de Cristo no terceiro mundo, foi seu último longa-metragem. O elenco contou com diversos amigos e parceiros de Glauber, como Maurício do Valle, Jece Valadão, Antonio Pitanga, Geraldo D’EI Rey, Ana Maria Magalhães, Norma Bengel, Danuza Leão, a filha Paloma Rocha e Paula Gaitán, sua última companheira e com quem teve dois filhos. O filme foi exibido no Festival de Veneza e causou grande polêmica, além de render a Norma Bengell o prêmio de Melhor Atriz.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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