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Resenha: "Marguerite" mostra a incrível história de uma artista sem talento

O filme recebeu sete prêmios César, considerado o Oscar do cinema francês, incluindo Melhor Atriz, Melhor Direção e Melhor Figurino.
Exibido ao longo do Festival Varilux de Cinema Francês, "Marguerite" é uma elegante comédia dramática sobre a pior cantora de ópera do mundo. Inspirado na história real de Florence Foster Jenkins (que também inspirou "Florence: Quem É Essa Mulher", com Meryl Streep), o longa de Xavier Giannoli é ambientado na França de 1920, onde a baronesa Marguerite Dumont, maravilhosamente interpretada por Catherine Frot, acredita que possui uma bela voz. 

A rica Sra. Dumont organiza vários concertos beneficentes e privados em sua mansão, mas ninguém tem coragem de dizer que ela canta incrivelmente mal. Enquanto a jovem Hazel (Christa Théret), de origem humilde e uma cantora realmente talentosa, não consegue reconhecimento do público, Marguerite vive cercada de luxo e de artigos extravagantes, que coleciona com a ajuda do fiel mordomo Madelbos (Denis Mpunga). Para o desespero do marido Georges (André Marcon), ela quer realizar uma apresentação em público, influenciada por um jornalista interesseiro (Sylvain Dieuaide), e decide contratar um professor para não fazer feio no dia mais importante de sua vida artística. 

Apesar da premissa parecer um tanto absurda, Xavier Giannoli e Catherine Frot tiveram muito cuidado para não debochar da personagem título. Assim como os jornalistas que compareceram à festa na mansão de Marguerite com a intenção de zombar de suas habilidades como cantora de ópera, o espectador também acaba cedendo aos encantos da personagem. Sim, você deseja que Marguerite pare de cantar imediatamente, mas não quer que as pessoas magoem ela. 


O carisma que a personagem carrega é mérito da belíssima performance de Catherine Frot, que está divina neste papel. Apesar de sua longa carreira no cinema francês, fui apresentada ao trabalho da atriz no recente "Os Sabores do Palácio" (Haute Cusine). Frot continua a impressionar o público com sua presença marcante e enigmática. É uma verdadeira alegria vê-la em cena como Marguerite. A atriz soube dar significado ao silêncio da personagem e ainda explorou a irreverência dela com muita sutileza.

È impossível saber o que se passa na cabeça de Marguerite e até que ponto ela acredita no seu talento. O mistério permanece com o espectador durante a maior parte do filme, mas eventualmente ele perde sua importância. Acima de tudo, "Marguerite" mostra que a opinião alheia não deve impedir alguém de fazer o que ama. A protagonista é inegavelmente feliz quando está cantando e tirando seus retratos surrealistas com o auxilio do mordomo. 

O filme consegue ser atraente, intrigante, divertido e triste ao mesmo tempo, resultado da direção de Xavier Giannoli, que também participou do desenvolvimento do roteiro. No fim, lamento que o cineasta sentiu a necessidade de justificar a mente da protagonista para o espectador. Mesmo assim, "Marguerite" conta com performances maravilhosas e é um verdadeiro deleite para quem gosta de filmes de época. 

Dica: se o festival já passou pela sua cidade e você perdeu algum filme, fique atento ao nosso calendário de estreias do cinema francês!



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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