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Adeus ao cineasta Hector Babenco (1946-2016)

Tributo a um dos cineastas mais importantes do Brasil, responsável por filmes como "O Beijo da Mulher Aranha" e "Carandiru".  
(Photo by camilla morandi/Corbis via Getty Images)

A Sétima Arte está em luto neste mês de julho com a perda de mais um grande cineasta: Hector Babenco faleceu aos 70 anos após uma parada cardiorrespiratória na noite de quarta-feira (13). Nascido em Buenos Aires, na Argentina, em 7 de fevereiro de 1946, ele se mudou para o Brasil aos 19 anos e construiu aqui uma carreira de sucesso, mas sempre foi questionado sobre sua nacionalidade, apesar de ter se naturalizado em 1977.

Filho de pai argentino, descendente de imigrantes ucranianos, e mãe polonesa, ele cresceu em Mar del Plata, onde passava suas tardes assistindo às maratonas de filmes nos cinemas da cidade. Foi nas matinês que descobriu clássicos como "Sete Irmãos para Sete Irmãs", "O Sétimo Selo", "Rocco e seus Irmãos", entre tantos outros. 

Mesmo com apenas dez longas-metragens em sua filmografia, Babenco foi um excelente diretor e contador de histórias, que deixou um legado imenso para a cena cultural nacional. Além de sua formação cinematográfica e experiência como figurante na Europa, seu olhar também foi influenciado por obras de outros cineastas brasileiros, como "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, cujas imagens e símbolos o marcaram profundamente.

No cinema, antes de assinar seu primeiro longa-metragem, foi produtor executivo e codiretor, com Roberto Farias, de "O Fabuloso Fittipaldi" (1973). Em 1975, dirigiu seu primeiro longa de ficção "O Rei da Noite", estrelado por Paulo José, Marília Pêra e Vic Militello, cuja trama se passa nos cenários boêmios de São Paulo.

Em seguida, mergulhou no universo do lendário bandido Lúcio Flávio. Inspirado em um caso real, "Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia" é protagonizado por Reginaldo Farias e levou mais de cinco milhões de pessoas aos cinemas em 1977, além de ter recebido diversos prêmios pelo mundo, inclusive o Prêmio do Público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Em 1980, Babenco dirigiu "Pixote, A Lei do Mais Fraco" (imagem). Vencedor de prêmios como o Leopardo de Prata, no Festival de Locarno, entre tantos outros, o longa conta a história de Pixote (vivido pelo garoto Fernando Ramos da Silva, que tinha 10 anos na época), um menino abandonado que chocou e comoveu o mundo com sua trajetória.

Com nomes como Marília Pêra, Jardel Filho, Tony Tornado, Elke Maravilha, Beatriz Segall, o longa é considerado um clássico contemporâneo e foi indicado ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, em 1982. Pixote ainda levou o Prêmio NYFCC 1981 (New York Film Critics Circle Awards, EUA) de Melhor Filme Estrangeiro do ano e recebeu o Prêmio OCIC no Festival de San Sebastian 1981 (Espanha), além do Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro de 1981 pela Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles.
 

Após Pixote, em 1984 Babenco fez sua primeira incursão no cinema internacional: "O Beijo da Mulher-Aranha (imagem). Adaptação do romance homônimo de Manuel Puig, o longa é estrelado por Sônia Braga, William Hurt, Raúl Julia, José Lewgoy e Milton Gonçalves. A produção foi sucesso mundial e levou milhões de pessoas aos cinemas em diversos países. Em 1986, pela primeira vez na história, um filme não anglo-saxão recebeu quatro indicações ao Oscar: Melhor Diretor, Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator para William Hurt, que levou a estatueta. O ator também recebeu a Palma de Ouro de Melhor Ator no Festival de Cannes 1986.

Após o sucesso de "O Beijo da Mulher-Aranha", Babenco dirigiu duas produções hollywoodianas entre os anos de 1987 e 1990. O primeiro filme é "Ironweed", protagonizado por Jack Nicholson e Meryl Streep. Por sua atuação, Nicholson foi indicado ao Oscar de Melhor Ator e também ao Globo de Ouro. Meryl também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel.


O segundo foi "Brincando nos Campos do Senhor", que desbrava o coração do Brasil para contar a saga de um casal de evangélicos, vividos por Aidan Quinn e Katty Bates, que adentra a selva amazônica com a missão de catequizar os índios. O longa, que conta ainda com Aida Quinn, Daryl Hannah e Tom Berenger, é baseado em um romance homônimo de Peter Matthiessen e foi escrito por Babenco e Jean-Claude Carrière.


Após alguns anos afastado do cinema, o diretor lançou em 1998 o longa "Coração Iluminado" (imagem). Estrelado por Maria Luisa Mendonça, Miguel Ángel Solá e Xuxa Lopes, o filme marca a volta de Babenco à ativa, depois de vencer um câncer linfático, descoberto em 1990, que o levou a fazer um transplante de medula óssea em 1996, em Seatlle, nos Estados Unidos.

O filme, que traz no roteiro diversas referências à sua juventude na Argentina, conta a história de um caso de amor interrompido por uma tragédia, que volta à tona muitos anos depois. A produção foi indicada à Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Em seguida, com "Carandiru" (2003), Babenco levou para as telas o livro "Estação Carandiru" de Dráuzio Varella, médico oncologista que cuidou do cineasta e para quem contava as histórias que presenciava e ouvia em seu trabalho voluntário no presídio. O diretor realizou um filme de proporções épicas, com foco nos dias que antecedem o trágico Massacre do Carandiru. A produção foi vista por mais de 4 milhões de espectadores nos cinemas do Brasil e foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes.


Impulsionado pelo sucesso, em 2005 o filme deu origem à série "Carandiru – Outras Histórias", da Rede Globo, que dava continuidade a narrativas que começaram no longa. Babenco assumiu a direção geral do projeto e dividiu a direção de vários episódios com Roberto Gervitz e Walter Carvalho.

Em 2007, o cineasta lançou "O Passado" (imagem), com Gael García Bernal, Analía Couceyro, Ana Celentano e Paulo Autran. O longa conta a história de Rímini (Gael), um jovem tradutor que, pouco tempo depois de terminar um casamento de 12 anos, começa um relacionamento com uma jovem modelo de 22 anos. Mas um acidente muda sua vida para sempre. O filme abriu a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2007. 


Em 2016, Babenco lançou "Meu Amigo Hindu", filme que, segundo ele, 'é uma história que aconteceu comigo e a conto da melhor maneira que sei'.

Babenco também contribuiu para a cena teatral brasileira na direção de espetáculos como "Loucos de Amor" (1988), de Sam Shepard, "Closer - Mais Perto" (2000), de Patrick Marber, "Hell Paris" (2010), da escritora francesa Lolita Pille e "Vênus em Visom" (2013), premiada peça de David Ives.

FILMOGRAFIA

2015 - MEU AMIGO HINDU

2007 - O PASSADO

2003 - CARANDIRU

1998 - CORAÇÃO ILUMINADO

1991 - BRINCANDO NOS CAMPOS DO SENHOR

1987 - IRONWEED

1984 - O BEIJO DA MULHER-ARANHA

1980 - PIXOTE – A LEI DO MAIS FRACO

1977 - LUCIO FLAVIO, O PASSAGEIRO DA AGONIA

1975 - O REI DA NOITE



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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