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Resenha: "Lolo: O Filho da Minha Namorada" é uma comédia romântica mais sombria do que você imagina!

"Lolo - O Filho da Minha Namorada" chega ao circuito comercial em 25 de agosto pela Mares Filmes.
Entre as produções exibidas ao longo do Festival Varilux de Cinema Francês, quero destacar "Lolo: O Filho da Minha Namorada" (2015), comédia romântica (e um tanto sombria) dirigida, escrita e estrelada pela adorável Julie Delpy. Em seu sexto trabalho atrás das câmeras - o anterior foi "Dois Dias em Nova York" (2012) - Delpy mergulhou no universo feminino novamente e adaptou o humor ácido encontrado em séries como "Sex and the City" e "Girls" para contar a história de uma francesa em busca do amor.

Na trama, ela vive Violette, uma profissional renomada da moda que conhece o atrapalhado Jean-René, interpretado por Danny Boon, durante as férias em uma cidade do litoral da França. O primeiro contato da dupla não é nada sutil, mas Violet acaba se encantando pelo jeito doce de Jean e o relacionamento deles evolui rapidamente. Com a mudança do amado para Paris, tudo parece estar perfeito na vida de Violette, porém ela nem imagina que seu próprio filho possui um plano para afastá-la de Jean.

Eloi (ou Lolo), interpretado por Vincent Lacoste, morre de ciúmes da mãe e não quer que nenhum homem se aproxime dela. Por isso, ele sabota os relacionamentos de Violette há anos, levando seus namorados à loucura com suas armações e escondendo todas as pistas da mãe. Com seu jeito doce e ingênuo, Jean-René é o alvo perfeito para Lolo. Mas ao decorrer do filme, ele surpreende o filho sociopata da amada e demonstra que seu amor por Violette é verdadeiro.

O que inicialmente parece ser uma simples e encantadora comédia romântica, voltada para espectadores acima dos 40 anos, revela-se uma sátira obscura sobre um garoto de 19 anos que está disposto a fazer qualquer coisa para manter sua mãe só para ele. Dito isso, Vincent Lacoste foi a escolha perfeita para retratar Lolo. O jovem, que está sempre por perto para apoiar sua mãe, carrega um peso no olhar, algo que se torna assustador ao decorrer da trama.


Lacoste faz um retrato descolado e um tanto debochado de Lolo, mas nunca entrega as verdadeiras motivações do personagem. Ele consegue manter o mistério no olhar e o espectador percebe logo de cara que existe algo de muito errado com o garoto. Ao mesmo tempo que Lolo é capaz de dizer palavras generosas ao namorado da mãe, seus olhos dizem algo completamente diferente. 

Como em todas as boas comédias do tipo pastelão, grande parte do filme é dedicado à longa sessão de tortura de Jean-René. Ele cai nas armadilhas de Lolo feito um patinho e sente as consequências na sua vida pessoal e profissional. Jean sofre de alergia pelo pó colocado em suas roupas, tem seu projeto destruído por um vírus de computador e paga o maior mico em um evento fashion ao tentar tirar uma selfie com ninguém menos que Karl Lagerfeld.

Além de hilária, a cena ao lado do chefão da Chanel é justamente a minha favorita. Jean-René envergonha Violette perante todos seus amigos, colegas de trabalho e influenciadores do ramo, mas é muito difícil para ela ficar chateada com o namorado. Mérito do ator Danny Boon, que conseguiu atravessar por essas situações absurdas com muita naturalidade, mantendo o carisma e a doçura do seu personagem ao longo de todo o filme. 



Julie Delpy, que também co-escreveu o roteiro com Eugénie Grandval, sempre fez sucesso ao retratar as neuroses femininas no cinema. É possível dizer que Delpy está dentro da sua zona de conforto em "Lolo: O Filho da Minha Namorada". Sua personagem é praticamente uma marca registrada da atriz: uma mulher moderna, elegante, inteligente, bem sucedida e que vive à beira de um ataque de nervosos. Acredito que Delpy vai conquistar a simpatia de muitas espectadoras com seu retrato de Violette. 

Ainda é possível perceber a preocupação de Delpy em trazer referências de grandes clássicos do cinema. Como diretora, ela aproveitou para fazer um paralelo entre a cegueira de seus protagonistas com a trama de "A Aldeia dos Amaldiçoados" (1960), de Wolf Rilla. Em uma cena, Violette e Jean-René assistem ao filme que mostra a história de crianças que aterrorizam os moradores de um pequeno vilarejo na Inglaterra. Mesmo indignados com o comportamento dessas crianças, eles não imaginam que Lolo também está arruinando suas vidas.

Há muitos pontos interessantes neste filme, porém nem todos são eficazes. Delpy retratou uma personagem que acredita ter um relacionamento "sem segredos" com o Lolo, mas ela só descobre quem ele é nos minutos finais e esse confronto entre mãe e filho é um tanto insatisfatório. Acredito que o comportamento obsessivo do personagem deixa de ser engraçado no minuto em que ele sente satisfação ao ver a mãe sofrendo.

Também preciso dizer que senti falta de algumas referências do passado de Violette e Lolo, mesmo assim o filme consegue manter seus encantos. Com ótimas atuações, um ritmo agradável e cenas hilárias, "Lolo: O Filho da Minha Namorada" é uma ótima opção para quem curte cinema francês ou uma boa comédia de humor negro.

Leia também: a resenha de "Meu Rei", também em cartaz no Festival Varilux 2016



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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