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Profissionais de cinema discutem a realidade feminina no 5º Olhar de Cinema

Leia também: Os destaques do 5o Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba.
Neste fim de semana, aconteceu o Semínário de Cinema de Curitiba, do 5º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, onde diretoras e profissionais do cinema discutiram a realidade feminina nos sets de filmagem e nos festivais. A mesa, mediada pela diretora do festival Marisa Merlo, contou com a presença da programadora Anette Dujisin, da documentarista e jornalista Flávia Guerra, e as diretoras Jessica Candal e Larissa Figueiredo. 

Além de apresentar dados relevantes para a percepção da discrepância de oportunidades no mercado cinematográfico e tratar de temas como a pré-determinação de lugares específicos a serem ocupados por mulheres, as debatedoras falaram de suas experiências pessoais e da importância de permanecer na luta por uma demarcação de espaço dentro do cinema. 

Ao falar de seu novo longa-metragem, "Agontimé", em desenvolvimento, Larissa Figueiredo expôs a diferença de tratamentos quando, em fase de pesquisa, esteve na África. Ela contou que em uma reunião, enquanto os homens tiveram seus lugares determinados na mesa, a ela foi apontado um lugar para que sentasse no chão. "Quando eu podia fazer uma pergunta, os homens olhavam para o outro lado e respondiam a outra pessoa”, contou. A experiência, segundo a da cineasta, deixa claro que há lugares onde a questão de igualdade de gênero nem começou a existir.  

Anette Dujisin trouxe outras comparações, com dados estatísticos da Itália, onde foi trabalhar como assistente de direção há alguns anos e hoje se dedica aos festivais de cinema. Segundo ela, o patrocínio  é um dos pontos mais chocantes, já que apenas 9% das cineastas conseguem o patrocínio, pois suas obras são consideradas como investimento de risco. Dujisin falou ainda sobre medidas a serem adotadas na União Européia para incrementar a produção feminina e a participação de mulheres cineastas em festivais europeus. 

Outras questões, como a ausência de filmes dirigidos por mulheres nas grandes premiações (a última mulher a ganhar a Palma de Ouro em Cannes foi Jane Campion, em 1994); a falta de relevância da maioria dos papéis femininos; a ocupação cênica da mulher e o pequeno número de mulheres na crítica cinematográfica também foram levantadas.

Fotos: ASpiacci e JVeiga



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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