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Diário de Cannes - Chegou ao fim uma das edições mais polêmicas do festival

Leia também: Os destaques da primeira semana do Festival de Cannes (Diário de Cannes - Parte 1)
Chegou ao fim uma das edições mais polêmicas da história do Festival de Cannes, onde a imprensa e os jurados discordaram em praticamente todas as categorias. A cerimônia de premiação aconteceu neste domingo (22) e consagrou o longa britânico "I, Daniel Blake", de Ken Loach. O filme apresenta uma dura crítica o governo inglês e marca a segunda Palma de Ouro da carreira do cineasta (que já havia vencido em 2006, com "Ventos da Liberdade").


Mas antes de opinar sobre os vencedores desta 69ª edição, vale destacar que esta é a minha quinta cobertura do evento e nunca vi tantos filmes vaiados em Cannes (até os jurados foram recebidos com vaias após a premiação). Estou falando de "The Neon Demon", de Nicolas Winding Refn, "Juste La Fin Du Monde, de Xavier Dolan, "The Last Face", de Sean Penn, e "Personal Shopper", de Oliver Assayas.



Todas as produções citadas acima receberam duras críticas da imprensa, mas ninguém chegou perto de "The Last Face", dirigido por Sean Penn. Além do clima estranho entre o diretor e Charlize Theron (sua ex-noiva) no tapete vermelho, o longa foi considerado "o pior filme desta edição". Mas a grande decepção do ano ficou por conta de Xavier Nolan com "Juste La Fin Du Monde". Apesar do elenco, a imprensa não curtiu esse retrato complexo de uma família francesa (nem mesmo Marion Cotillard foi poupada), porém as críticas negativas não impactaram a decisão dos jurados.

A busca por justiça em festivais e premiações é sempre uma causa perdida. Enquanto muitos alegam que esta foi uma das edições mais fracas da história do Festival de Cannes, outros destacam o peso das produções selecionadas. Na verdade, 2016 foi palco de uma das disputas mais acirradas dos últimos anos, com produções da Alemanha, do Brasil e Estados Unidos liberando as apostas.

Em tempos de crise econômica e dos refugiados, a escolha de "I, Daniel Blake" foi coerente com os temas mais urgentes da atualidade. É um tanto cruel ler notícias que consideram o filme de Ken Loach a "zebra" do ano. Além de emocionar o público e receber elogios durante a primeira semana do festival, o longa nunca apelou para o sentimentalismo. Ainda que houvesse outras produções aclamadas pela imprensa, o vencedor da Palma de Ouro passa longe (muito longe) de ser uma "zebra".

Mas deixando a polêmica de lado por um minuto, os brasileiros possuem SIM bons motivos para comemorar, pois esta edição consagrou duas produções nacionais. Enquanto o documentário "Cinema Novo", de Eryk Rocha, recebeu o troféu "Olho de Ouro", o curta-metragem "A Moça Que Dançou com o Diabo", de João Paulo Miranda Maria, recebeu uma menção honrosa em Cannes. 

Confira a lista completa de vencedores:

Palma de Ouro: I, Daniel Blake, de Ken Loach;

Grand Prix: Juste La Fin Du Monde, de Xavier Dolan;


Prêmio do Júri: American Honey, de Andrea Arnold;


Atriz: Jaclyn Jose, por Ma’Rosa;


Ator: Shahab Hosseini, por The Salesman;


Direção: Cristian Mungiu por Graduation, empatado com Olivier Assayas, por Personal Shopper;


Roteiro: Asghar Farhadi por The Salesman;


Palma de curta-metragem: Timecode, de Juanjo Giménez, com menção honrosa para o curta brasileiro A Moça Que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda Maria
 

Caméra d’Or: Divines, de Houda Benyamina

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nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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