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Quem é Bill Plympton? - Conheça a história do rei da animação independente

Saiba mais sobre a Mostra Bill Plympton que acontece no Rio de Janeiro e São Paulo.
Nome forte na animação independente norte-americana, Bill Plympton foi indicado duas vezes ao Oscar, em 1987 e 2005, recusou um contrato milionário com a Disney, fez 36 curtas e sete longas de animação, além de outros três em live action, e se tornou conhecido pelo traço inconfundível, enredos surreais e pela proeza de produzir, dirigir e desenhar filmes inteiros sozinho e à mão.

O gosto pelo desenho veio na infância, impulsionado pelo tempo chuvoso de Portland, Oregon, sua cidade natal, que o obrigava a passar longos períodos dentro de casa. Ele brinca que de lá saíram psicopatas e artistas, como Brad Bird, animador da Pixar que dirigiu "Os Incríveis" e "Ratatouille".


Aos 13 anos, Bill visitou a Disneylândia pela primeira vez e aos 14 reuniu seus melhores desenhos do Mickey, do Pato Donald e do Pateta e enviou à Disney, na esperança de ser visto pelo próprio Walt ou, quem sabe, acabar conseguindo um trabalho por lá – o primeiro contato de Bill com a animação foi pela TV, assistindo os desenhos animados do maior estúdio de animação do mundo. Em resposta à carta, Plympton recebeu uma correspondência assinada pela equipe Disney em que lhe diziam que seus desenhos eram promissores, mas que ele era ainda muito jovem para entrar para a equipe.


Anos mais tarde, após a primeira indicação ao Oscar com o curta "Your Face", Bill recebeu uma visita de um advogado da Disney de terno e maleta na mão, oferecendo-lhe um contrato de três anos que valia U$ 1 milhão. Era a realização de um sonho, pensou Bill, a princípio. Impressão desfeita pouco a pouco ao longo da conversa. “Eu esperava trabalhar para a Disney e, nos fins de semana e dias de folga, me dedicar aos meus próprios projetos, meus projetos não convencionais. O advogado disse que sim, mas que toda a minha produção pertenceria à Disney."


No livro, Bill Plympton, Independently Animated, Bill fala que, à época, U$ 1 milhão era uma enorme quantia para um animador independente e afirma que esse foi o custo aproximado de todos os curtas e longas que ele fez até 2011. Mas o fato de estar no meio da produção de seu primeiro longa de animação, "The Tune", ter que mudar para a Califórnia e fechar o próprio estúdio pesaram na decisão. 

Além disso, a cena independente estava crescendo, havia mais financiamento e distribuidores e, caso "The Tune" fosse mesmo um sucesso, Bill acreditava que poderia se tornar uma espécie de Spike Lee ou Jim Jarmusch da animação, conseguindo unir popularidade e independência artística. Plympton queria dizer sim à Disney, mas, devido às condições estabelecidas no contrato, acabou dizendo não.

“Olhando em perspectiva, eu sei que tomei a decisão correta, mas, claro, algum arrependimento permanece. Eu queria ter tentato, ter tido meu nome em um longa da Disney e ter trabalhado com o grande panteão de artistas Disney. Meu sonho Disney havia acabado, mas foi substituído por um novo, com um novo caminho pela frente, cheio de altos e baixos, mas com minhas mãos ao volante”, afirmou em Bill Plympton, Independently Animated, publicado em 2011.


“Um problema que eu tenho na minha carreira é que as pessoas conhecem meu trabalho, meu estilo, elas assistem, mas não conhecem quem fez. Eu sou meio que um cara anônimo, uma figura cult. Eu queria ser um artista mainstream. Eu queria exibir meu filme em 200, 300 cinemas ao redor do país, ter muita publicidade, outdoors... Eu quero ser popular, não quero ser um artista underground”, afirmou Bill.

O traço de Bill Plympton é inconfundível. Seus filmes são em 2D, feitos à lápis ou em uma combinação de lápis e aquarela. Ele diz que costuma fazer todos os desenhos sozinhos para manter os custos baixos e não acabar ficando apenas com as partes burocráticas e menos divertidas do processo de produção de uma animação, já que desenhar é, para ele, a parte mais prazerosa de todo o processo. Hair High, por exemplo, é um longa feito a partir de 30 mil desenhos. Para não encarecer o projeto, Plympton também costuma abarcar outras etapas da elaboração de seus filmes, como a produção.
 

A carreira de Plympton na animação não se deu apenas no cinema independente. Ele fez vários trabalhos publicitários, desenvolvendo peças para empresas como Taco Bell, AT&T, Nike, United Airlines e Mercedes-Benz. Também fez muitos trabalhos para a MTV e um clipe para Kayne West. Quando Plympton terminou a faculdade, dizia-se que a animação havia morrido e, de fato, havia pouca coisa de destaque sendo feita no mundo. Por 15 anos, Bill deixou de lado o sonho de fazer filmes e atuou como ilustrador e cartunistas. Seus trabalhos dessa época foram publicados em jornais e revistas como a Vanity Fair, a Rolling Stone e o The New York Time.

Na animação, Bill Plympton costuma dizer que segue três dogmas básicos: filmes curtos; baratos e engraçados. Sua carreira começou com curtas-metragens e com eles ganhou vários prêmios, o que o impulsionou a encarar um novo desafio e fazer o primeiro longa. Mas financiar o projeto não foi fácil e Plympton acabou lançando partes do filme como curtas para conseguir levantar recursos e viabilizar a obra. "The Wiseman" e "Push Comes to Shove", por exemplo, faziam parte de "The Tune" e foram lançados antecipadamente com esse objetivo. "Push Comes to Shove", inclusive, ganhou o prêmio do júri no Festival de Cannes, em 1991.
 

Com o dinheiro dos prêmios dos curtas e do trabalho com publicidade, Plympton conseguiu completar "The Tune". O filme fez carreira em festivais e levou o Houston WorldFest Gold Jury Special Award. Também foi indicado pelo Spirit Award ao prêmio de melhor trilha Sonora. "The Tune" foi distribuído nacionalmente pela October Films.
 

Depois de desenhar e colorir ele mesmo os mais de 30 mil frames de "The Tune", Plympton resolveu partir para o live action. "J.Lyle", seu primeiro filme nesse formato é uma comedia surreal sobre um advogado desprezível que encontra um cão falante mágico que muda sua vida. Bill voltou à animação em 1998, com "I Married a Strange Person", uma história romântica sobre um casal na noite do seu casamento. Novamente, Bil Plympton desenhou e financiou o filme todo sozinho – desta vez, um filme para adultos e politicamente incorreto.

O filme de animação seguinte de Bill é "Mutant Aliens", a história de um astronauta perdido que volta para a Terra após 20 anos no espaço. O longa foi finalizado em janeiro de 2001 e estreou no Festival Sundance. Ele ganhou o grande prêmio em Annecy, em 2001, e foi lançado nas salas de cinema em 2002.

O filme "Hair High" é uma comédia gótica sobre um triângulo amoroso que termina terrivelmente mal. Sarah Silverman, David & Keith Carradine e Dermot Mulroney participam das dublagens. O filme foi coproduzido por Martha Plimpton e Bill dizia que era seu melhor filme até então. 


O curta “Guard Dog” fez sucesso nos festivais e deu a Bill sua segunda indicação ao Oscar, em janeiro de 2005. As sequências “Guide Dog” (2006) e “Hot Dog” (2008) também tiveram sucesso. Ao longo da sua carreira, Bill sempre fez dois a três curtas por ano, o que permitiu que ele tenha sólidas vendas ao redor do mundo.


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nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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