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Festival de Cannes - Conheça a história do festival de cinema mais importante do mundo

A atriz Sophia Loren foi a pessoa mais fotografada durante o Festival de Cannes de 1955. A seguir, conheça a história do evento de maior prestígio do mercado cinematográfico.
Entre as diversas mostras de cinema, o Festival de Cannes é sem sombra de dúvidas o evento de maior prestígio do mercado. Ele reúne anualmente os profissionais mais conceituados e badalados da indústria, mas também é reconhecido por revelar artistas promissores. Ao longo de suas edições, o festival já homenageou nomes como Marilyn Monroe, Faye Dunaway, Paul Newman, Juliette Binoche, Ingrid Bergman e Marcelo Mastroiani, entre outros.

Em 2016, o Festival Internacional de Cinema de Cannes celebra sua 69ª edição, com uma seleção oficial diversificada e uma bela homenagem ao cineasta francês Jean-Luc Godard. O cartaz oficial do festival traz uma cena do filme " O Desprezo" (Le Mépris), lançado em 1963 e estrelado pela diva Brigitte Bardot.

Hoje quero convidar os meus queridos leitores para relembrar alguns dos momentos mais importantes da história de Cannes, um festival que reúne as principais produções do mercado cinematográfico.



Início

Como já foi dito, o Festival de Cannes foi criado por iniciativa de Jean Zay, ministro francês da Instrução Pública e das Belas Artes. Ele desejava implantar um evento cultural de nível internacional capaz de competir com a famosa Mostra de Veneza - o primeiro festival anual de cinema do mundo. Mas com os avanços da Segunda Guerra Mundial, a primeira edição prevista em 1939, sob a presidência de Louis Lumière, foi cancelada.

A primeira edição do Festival de Cannes aconteceu em 20 de setembro de 1946, na cidade da Riveira Francesa, e apresentou ao público produções de 18 países.  Entre os selecionados estavam os filmes "Farrapo Humano", de Billy Wilder, "Roma, Cidade Aberta", de Roberto Rossellini, "A Batalha dos Trilhos", de René Clement, e "Desencanto", de David Lean.

A partir de 1952, o festival foi transferido para o mês de maio e ganhou endereço definitivo: o Palais des Festivals. Em 1955, o comitê organizador introduziu a Palma de Ouro como prêmio principal do evento - antes ele era conhecido como Grand Prix du Festival International du Film. Curiosidade: o filme "Marty", de Delbert Mann, foi o primeiro a receber a Palma de Ouro.

O símbolo da Palma de Ouro foi criado por Lucienne Lazon para lembrar a plantação de palmeiras encontrada ao longo na praia de Cannes. O design sofreu algumas alterações ao longo dos anos, mas até hoje o troféu é anexado à uma peça de cristal e fabricado em ouro (24 quilates). Leia também: Todos os filmes premiados com a Palma de Ouro.

Nos anos 1950, o Festival de Cannes ganhou fama e popularidade graças às presenças de artistas como Kirk Douglas, Sophia Loren, Grace Kelly, Brigitte Bardot, Cary Grant, Romy Schneider e Alain Delon.

Tempos difíceis

O Festival de Cannes enfrentou dificuldades durante seus primeiros anos, as edições de 1948 e 1950 foram canceladas por razões financeiras. A edição de 1968 precisou ser interrompida à pedido de Louis Malle, François Truffaut, Claude Berri, Jean-Gabriel Albicocco, Claude Lelouch, Roman Polanski e Jean-Luc Godard. O grupo invadiu o salão principal do Palácio e exigiu a interrupção do festival em solidariedade aos operários e estudantes em greve.

Evolução

Os filmes que participavam do Festival de Cannes eram selecionados de acordo com o país de origem. A partir de 1972, a organização declarou sua independência e passou a escolher as produções que compõem a Seleção Oficial - filmes em competição, filmes fora de competição, curtas-metragens em competição, Un Certain Regard e Cinéfondation. 

Em 1978, Gilles Jacob criou a mostra Un Certain Regard ("Um Certo Olhar") e o prêmio da Caméra d'Or ("Câmera de Ouro"), que recompensa o melhor primeiro filme do conjunto da mostra. Jacob também foi responsável pela criação da Cinéfondation ("Cine-Fundação"), uma seleção de curtas e médias metragens de escolas de cinema internacionais. 

Hoje em dia, o Festival de Cannes não prestigia somente diretores consagrados, mas também destaca o trabalho de jovens promissores. Desde 1998, com a criação da mostra paralela Cinéfondation, mais de 2 mil produções de todos os continentes foram exibidas.

O Festival de Cannes também exibe produções em mostras que ocorrem paralelamente, como a Semana da Crítica e Quinzena dos Realizadores, criadas em 1962 e 1969, respectivamente.

Celebração

Em 2007, foi celebrado os 60 anos do Festival de Cannes com a presença de 33 dos maiores cineastas do mundo, como Alejandro Gonzalez Iñárritu, Olivier Assayas, Jane Campion, Joel e Ethan Coen, David Lynch, Amos Gitai e David Cronenberg, entre outros. Cada um deles foi convidado para realizar um segmento de 3 minutos do filme de aniversário "Chacun son cinéma".

Encontro de profissionais

Com a criação do Marché du Film, o Festival de Cannes promove encontros entre os diferentes profissionais da indústria cinematográfica. O evento atrai 10.500 compradores e vendedores de todo o mundo, fazendo de Cannes o primeiro mercado profissional mundial.

Além de ser uma importante plataforma comercial para realizadores do mundo todo, que levam seus trabalhos ao festival para obter distribuição mundial (fato que gera muitas críticas), é preciso reconhecer que o evento é uma meca de pré-estréias para cineastas consagrados e jovens promissores.

Brasil em Cannes

"O Cangaceiro", de Lima Barreto, foi o primeiro filme brasileiro premiado no Festival de Cannes. A produção mostra as histórias de Lampião e foi o destaque na categoria de Melhor Filme de Aventura, em 1953. Após o sucesso em Cannes, o filme foi exibido em mais de 80 países.

Em 1959, a Palma de Ouro chegou com "Orfeu Negro", uma co-produção do Brasil, França e Itália. O filme, dirigido por Marcel Camus, entrou para a história como a primeira produção em língua portuguesa ganhadora do prêmio principal. Em 1962, o longa "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, também venceu a Palma de Ouro.

Nas edições seguintes (1967 e 1969) foi a vez de Glauber Rocha representar o Brasil em Cannes através do aclamado "Terra em Transe", vencedor do Prêmio da Crítica Internacional, e com "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" - longa que recebeu o prêmio de Melhor Direção em Cannes.

Em 1986, o Brasil voltou a destacar-se no festival com a atriz Fernanda Torres, que recebeu o Prêmio de Interpretação Feminina por seu trabalho em "Eu Sei que Vou Te Amar", de Arnaldo Jabor. Sandra Corveloni também recebeu o prêmio por sua atuação em "Linha de Passe", exibido em 2008.

Um dos destaques da seleção oficial de 2016 é "Aquarius", filme dirigido por Kleber Mendonça Filho. A atriz Sonia Braga é a protagonista da trama, ela vive uma jornalista aposentada, viúva e mãe de três filhos. Saiba mais detalhes sobre o filme aqui.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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