DESTAQUES
Pesquisar

Conheça a história de Alice Guy-Blaché: a primeira cineasta do mundo

Saiba mais sobre uma das mulheres mais importantes da história do cinema. Leia também: 35 das melhores diretoras do cinema atual.
Alice Guy-Blaché não é apenas a primeira diretora de cinema do mundo, mas ela também é uma das pioneiras do cinema na França. Ela criou mais de 1.000 filmes durante sua carreira de 20 anos, administrou seu próprio estúdio, e serviu de inspiração para vários artistas, como Alfred Hitchcock e Barbra Streisand.

Nascida em 1º de julho de 1873, na cidade de Saint-Mandé (França), Alice viveu com sua família em uma colônia francesa em Santiago (Chile), antes de iniciar suas atividades como cineasta. Ela ajudou a moldar a indústria cinematográfica desde seus 21 anos de idade, quando trabalhava como secretária do fotógrafo francês Léon Gaumont, em 1894. 

Alice descobriu o cinema após participar de uma demonstração, realizada pelos irmãos Lumière, de uma câmera de 60 milímetros. Ela ficou tão inspirada com a projeção de "La Sortie de l'usine Lumière à Lyon" que pediu a câmera emprestada de Gaumont, chamada posteriormente de Gaumont Chronophotographe, para filmar um famoso conto francês. Foi assim que nasceu seu primeiro filme: "The Cabbage Fairy", uma comédia sobre uma fada que cria crianças dentro de um repolho. 

Ela escreveu, produziu e dirigiu o filme no pátio do estúdio de Gaumont, usando técnicas especiais que aprendeu com a fotografia. Foi através de Alice que nasceu o papel de um diretor como o conhecemos até hoje. Ela introduziu a ideia da narrativa no cinema e, por mais de duas décadas, criou dezenas de curtas e longas-metragens por ano (incluindo "In The Year of 2000, When Women Are In Charge"). 

Alice é considerada uma pioneira em todos os aspectos do cinema, como a escalação de um elenco diversificado - ela dirigiu "A Fool and His Money" (1912) com um elenco todo composto por atores negros - e na realização de filmagens com centenas de figurantes.

Em um de seus primeiros projetos, ela se apaixonou pelo inglês Herbert Blaché. Depois de se casar em 1907, eles se mudaram para Nova Jersey, onde Alice fundou seu próprio estúdio de cinema, "The Solax Company", e começou a produzir um filme por semana. Dentro de alguns anos, porém, Herbert teve um caso com uma jovem atriz e se mudou para Hollywood, deixando Alice falida após o divórcio. Forçada a leiloar sua parte do estúdio e voltar para a França em 1922, Alice nunca fez outro filme.  

Seu último projeto foi realizado em 1920 e Alice quase morreu ao contrair a gripe espanhola durante as filmagens. Após sua falência e seu divórcio, ela não conseguiu ganhar a vida fazendo filmes. Existem boatos que ela se isolou temporariamente após a perda de Solax. No entanto, Alice escreveu um livro de memórias, onde revelou que seu verdadeiro amor sempre foi o cinema.

"The Cabbage Fairy" (La Fée aux Choux)
Em 1930, Gaumont publicou a história de seu estúdio de cinema - o primeiro no mundo e que contou com a colaboração de Alice como chefe de produção - mas não mencionou o nome dela. Durante décadas, o papel de Alice na história do cinema foi praticamente esquecido, como sucessivos recordes históricos que raramente a colocam junto dos pioneiros na indústria cinematográfica. Ela morreu em 1964 acreditando que seu legado tinha sido apagado e que a maioria de seus filmes tinham sido perdidos.
  
Mas após décadas de esquecimento, a vida e o trabalho de Alice começaram a ganhar destaque através do reconhecimento do governo francês, que a concedeu a "Legião de Honra" em 1953. Ela também foi homenageada com o Lifetime Achievement Award do Director's Guild of America (DGA), em 2012. Ainda existe um documentário sobre Alice que está em busca de financiamento.
 
É importante dizer que sua
carreira de 24 anos superou o tempo de trabalho de qualquer um dos pioneiros do cinema. Até hoje, no entanto, as mulheres lutam por oportunidades e reconhecimento na indústria cinematográfica. Apenas 7% dos diretores são do sexo feminino, fazendo de Alice e da sua luta pelo reconhecimento criativo extremamente relevante.


Leia também: 12 pioneiras que marcaram a história do cinema
Retrospectiva 2015 - As diretoras de maior destaque da temporada



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


1 comentário on “Conheça a história de Alice Guy-Blaché: a primeira cineasta do mundo

    Sua opinião é muito importante!