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Crítica: Jennifer Lawrence é a rainha das vendas em "Joy: O Nome do Sucesso" (2015)

Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper, Isabella Rossellini, Édgar Ramirez e Diane Ladd estão no elenco de "Joy O Nome do Sucesso", filme que chega aos cinemas nacionais em 21 de janeiro.
David O. Russell é um diretor que divide opiniões. Ele conquistou um certo prestígio em Hollywood nos últimos anos com uma sequência de filmes comercialmente bem sucedidos e com passagem no Oscar. "O Lado Bom da Vida", "Trapaça" e, o mais recente, "Joy: O Nome do Sucesso", completa seu ciclo de projetos ao lado da musa inspiradora Jennifer Lawrence, e também dos atores Bradley Cooper e Robert De Niro.

O longa em questão narra a trajetória de Joy Mangano, que demonstrou criatividade desde a infância e entrou na vida adulta conciliando a jornada de mãe solteira com a de inventora. Ela tanto fez que tornou-se uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos: Joy inventou o Miracle Mop, um tipo de esfregão que revolucionou o modo como os americanos fazem serviços domésticos.

Jennifer Lawrence conquistou sua quarta indicação ao Oscar (confira a lista completa aqui) por seu trabalho neste filme e acabou de provar que a Academia é cega quando o assunto é sua parceria com David O. Russell. Para explicar os motivos pelo qual "Joy: O Nome do Sucesso" é uma trágica consequência do ego de seu próprio criador, primeiramente, quero esclarecer alguns fatos.



Um dos maiores equívocos do filme é justamente a escolha da protagonista. Jennifer Lawrence é muito talentosa, mas também é muito jovem para o papel. Ela não consegue convencer o público que possui toda a bagagem emocional e familiar de Joy. A empreendedora criou o Miracle Mop aos 35 anos, coincidentemente, a atriz nasceu no mesmo ano desta criação. 

Em uma época onde a discussão sobre os direitos das mulheres tomou conta de Hollywood, onde atrizes protestam pela falta de oportunidades, e papeis maduros, é no mínimo um equívoco que uma atriz de 25 anos seja a escolha ideal para viver Joy Mangano no cinema. Digo isso, pois diversas atrizes, acima de 30 anos, revelaram que estão no mercado buscando por projetos adequados e ainda enfrentam rejeição por serem consideradas "velhas demais". 

Na verdade, o cineasta atingiu um sucesso tão grande ao lado de sua musa, que não importa se o papel é realmente ideal para Jennifer Lawrence, pois ele nunca pretendeu escalar outra atriz. Depois de vencer o Oscar de Melhor Atriz por "O Lado Bom da Vida", onde ela interpretou uma viúva de 22 anos, nada mais parece tão absurdo nesta parceria.



"Joy: O Nome do Sucesso" foi apontado com uma das principais promessas da temporada, e David O.Russell revelou que seu filme é superior a grandes clássicos do cinema, como "Cidadão Kane" e "O Poderoso Chefão". É quase impossível levar a sério uma afirmação como essa, mas esse cineasta também é famoso por suas declarações pretensiosas e irritantes.

Deixando as loucuras de David O. Russell de lado, o filme passa por diversas dificuldades ao longo de seus 124 minutos. Em particular, o roteiro, adaptado também por Russell, é um verdadeiro caos. O espectador consegue perceber o desequilíbrio na tentativa de mostrar como a vida da personagem era problemática até sua famosa invenção.  

Infelizmente o roteiro não proporciona momentos de emoção e conexão entre o passado e o presente. O diretor tentou preencher algumas lacunas da trama com flashbacks da protagonista, mas foram inseridos nos momentos mais inoportunos. Ele também tentou trazer humor ao relacionar a vida de Joy com a telenovela favorita de sua mãe, interpretada por Virginia Madsen.

Uma das características que sempre me perturbou no trabalho de David O. Russell é que seus filmes apresentam um grande elenco, roteiro caótico e direção pesada. Quando você precisa de mais espaço para respirar, "Joy: O Nome do Sucesso" segue em frente, descuidadosamente. Muitos diretores trabalham com a ideia de caos, mas para ela dar certo e ter fluidez, tudo precisa de uma certa organização.



O destaque deste filme é justamente quando a protagonista aparece focada e determinada a vender seu produto. Nesta parte, Neil Walker, interpretado por Bradley Cooper, demonstra como as vendas são feitas pela televisão. Mais tarde, Joy decide que ninguém será capaz de vender seu produto melhor do que ela, e decide se tornar a garota propaganda do Miracle Mop.

A invenção de Joy e seu sucesso em vendas retrata o verdadeiro sonho americano, e quem não gosta de assistir uma boa história de superação? Mas o grande problema do filme é que ele têm medo de ser o que realmente é. Para se tornar comercialmente bem sucedido, o roteiro investiu em referências do passado de Joy, que mais atrapalham do que ajudam. A direção não colocou fé que a história de uma mulher, que inventou um simples acessório para limpeza doméstica, chegaria ao cinema quebrando a bilheteria.

VEJA TAMBÉM: 10 curiosidades sobre o filme "Joy - O Nome do Sucesso"



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Crítica: Jennifer Lawrence é a rainha das vendas em "Joy: O Nome do Sucesso" (2015)

    1. Ainda não assisti e portanto não posso optar, mas quando vi Lawrence sendo indicada novamente achei já meio forçado. Daqui a pouco vai ser a nova Marilyn Street, mas de uma forma um tanto precoce

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