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Crítica: "O Quarto de Jack" (Room), um filme inesquecível e emocionante

O longa, indicado a quatro Oscars, é uma das estreias de 18 de fevereiro - confira minha resenha a seguir.
"O Quarto de Jack" (Room) foi um dos primeiros filmes que assisti nesta #MaratonaOscars e ele tornou-se um dos meus grandes favoritos da temporada. Baseado na obra de Emma Donoghue, o longa conta a história de Jack, um menino de cinco anos que é criado por sua mãe, carinhosamente chamada de Ma. Como toda boa mãe, ela se dedica a manter seu filho feliz e seguro. Contudo, a vida dos dois não é nada normal: eles vivem em um cativeiro. Enquanto a curiosidade de Jack aumenta, a resiliência de Ma alcança um ponto de ruptura. Os dois, então, começam a traçar um plano de fuga. 

Ao mesmo tempo em que conta uma história de cativeiro e liberdade, "O Quarto de Jack" destaca o triunfante poder do amor familiar mesmo na pior das circunstâncias. Junto de um roteiro maravilhoso, que foi adaptado pela própria autora, Lenny Abrahamson conseguiu trabalhar um assunto tão delicado de uma maneira impressionante. É difícil segurar as lágrimas com esta bela história de amor. O cinema adora retratar conflitos familiares, e já estamos acostumados com isso, mas é tão inspirador ver uma família que consegue demonstrar seu amor incondicional na tela.

Desde que Lenny Abrahamson lançou o intrigante "Frank" (2014), estrelado por Michael Fassbender, estou de olho no trabalho deste cineasta. Hoje tenho certeza que não estava errada em criar grandes expectativas. Ele ficou com a última vaga no Oscar, na categoria de melhor direção, e deixou nomes como Ridley Scott ("Perdido em Marte"), Quentin Tarantino ("Os Oito Odiados"), J.J Abrams (Star Wars - O Despertar da Força) e Todd Haynes ("Carol") para trás. 

A direção trabalhou com a ideia de claustrofobia na maior parte do filme, digo isso como se houvesse outra possibilidade, mas a predominância de cores suaves, o clima sombrio, e os movimentos sufocantes das lentes de Lenny Abrahamson, realmente foram fundamentais para deixar o espectador ainda mais aterrorizado com a situação desta família.



Talvez o grande segredo de "O Quarto de Jack" é seu roteiro. Como já disse antes, foi a própria autora, Emma Donoghue, quem adaptou a história para o cinema e isso é algo raro em Hollywood. Ela se inspirou em crimes reais e não deve ter sido fácil resumir uma obra tão delicada em um filme com menos de duas horas de duração. Ainda preciso ler a obra de Donoghue, então não posso argumentar se o filme é melhor que o livro, acredito que não, mas isso não tira o mérito desta bela adaptação.

Na minha opinião, o filme é dividido em dois capítulos. A primeira parte de "O Quarto de Jack" é dominada pela dor de Ma no cativeiro e por seus esforços em manter seu filho feliz. Brie Larson reina demonstrando a experiência e segurança de uma grande atriz, ao nível de Cate Blanchett. Mas a segunda parte do longa, é carregada pelo jovem Jacob Tremblay, que foi, sim, esnobado no Oscar. Este filme não seria tão emocionante sem a presença desta criança, que também já se tornou uma das melhores revelações da temporada.

Não existe protagonista e coadjuvante em "O Quarto de Jack", pelo menos não entre Brie Larson e Jacob Trembley. Eles formaram uma bela parceria e assumiram a responsabilidade em diferentes momentos do filme. A conexão entre seus personagens é tão forte a ponto de roubar o coração do espectador. Acredito que esta é a primeira vez, desde Dakota Fanning, que um ator mirim consegue dominar seu papel e deixar o público aos seus pés. 

Voltando a performance de Larson, a atriz também surpreendeu com tamanha entrega e naturalidade. Ela apareceu de cara lavada em grande parte do filme, devastada pela presença de Old Nick, interpretado por Sean Bridgers, e pelos sete anos que passou olhando o mundo através de uma pequena janela. Após o retorno da personagem para a sociedade, Larson retratou perfeitamente o sentimento de estar livre, mas não se sentir livre. 



Além do relacionamento entre mãe e filho, o filme também fez questão de mostrar tudo o que Ma deixou para trás desde seu sequestro. Joan Allen e William H. Macy interpretam os pais da personagem, que se chama, na verdade, Joy Newsome. "O Quarto de Jack" se torna ainda mais interessante quando o espectador percebe que não existe um final feliz para esta história. Ao mesmo tempo que Joy não consegue retomar sua vida, o avô não aceita o neto que foi fruto de anos de abuso e simplesmente decide que não quer contato com ele.

Marcados por uma tragédia incompreensível, é Jack quem ganha forças e consegue unir o que sobrou de sua família. Justamente quem teria a maior dificuldade em conhecer a liberdade foi quem tirou o maior proveito dela. Os papéis se revertem aqui, pois é Jack quem passa a cuidar de sua querida Ma, ele a orienta e faz de tudo para ajudá-la a manter a sanidade. 

Mesmo com um orçamento pequeno, "O Quarto de Jack" é uma grande produção do cinema, capaz de levantar questões importantes. Por se tratar de uma história tão sombria e cruel, a delicadeza com que o filme foi construído é extremamente comovente. Ele possui a capacidade de tocar o coração do espectador e proporcionar uma experiência inesquecível.

Veja também: Brie Larson além de "O Quarto de Jack"
Confira a lista completa de indicados ao Oscar 2016 



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


12 comentários on “Crítica: "O Quarto de Jack" (Room), um filme inesquecível e emocionante

    1. A maior das injustiças foi a não indicação do pequeno Jacob Trembley. O garoto arrebenta no seu papel. Me impressionou demais. Injustiça não ser indicado ao Oscar como melhor ator.

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    2. O filme é maravilhoso! O menino merecia o prêmio também. Filme mais tocante dos últimos tempos.

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      1. Concordo, Jacob Tremblay merecia a indicação! <3

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    3. Foi uma das melhores resenhas críticas que eu li sobre este filme maravilhoso, parabéns!

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    4. Excelente resenha! Representou tudo aquilo que senti assistindo esse filme lindo.

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      1. Obrigada! O filme é emocionante mesmo, sem falar em Jacob Tremblay.

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    5. A melhor crítica que li !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
      Muitas coisas que senti e ainda não tinha racionalizado... foram traduzidas neste texto !!!!
      Um dos últimos filmes mais lindos que já vi !

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      1. Que bom que você gostou da resenha! Também é um dos meus favoritos dos últimos anos.

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    6. Lindo filme, excelente resenha, impossível não derramar lagrimas

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    7. Olá pq o criminoso não foi punido?

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