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Aquecimento Oscars - Opinião sobre a polêmica #OscarsSoWhite

Participe do debate também: qual é a sua opinião sobre a falta de diversidade da Academia e o que deve ser feito para mudar esse cenário?
Na temporada anterior, Hollywood foi tomada pela discussão em prol da igualdade de gênero, com Jessica Chastain e Patricia Arquette expressando sua insatisfação ao público. Em 2016, as indicações ao Oscar geraram uma nova polêmica, desta vez pela ausência de artistas negros entre os candidatos ao prêmio. Entre os esnobados do ano, estão os atores Will Smith ("Um Homem Entre Gigantes"), Idris Elba ("Beasts of No Nation") e Samuel L. Jackson ("Os 8 Odiados"), e o longa "Straight Outta Compton - A História do NWA".

Ainda na edição passada, a Academia criou polêmica ao esnobar Ava DuVerney na categoria de melhor direção. "Selma - Uma Luta Pela Igualdade" foi um dos longas mais elogiados da temporada e recebeu apenas 2 indicações ao Oscar, deixando o excelente David Oyelowo de fora da competição pelo prêmio de melhor ator. Vale lembrar que foi Bradley Cooper ("Sniper Americano") quem ficou com a última vaga e provou a falta de coerência da maior premiação do cinema. 

A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, já começou a cogitar mudanças para renovar seu quadro de membros associados e promover a diversidade em futuras edições. Além disso, a Academia está estudando aumentar o número de indicados nas categorias de atuação. As vagas, que atualmente são limitadas a 5 atores, poderiam ser expandidas até 10. Segundo a avaliação da organização, tal mudança possibilitaria a inclusão de mais minorias entre os candidatos. 

@WritersofColour
O movimento #OscarsSoWhite começou no dia em homenagem a Martin Luther King nos Estados Unidos, liderado pelo cineasta Spike Lee, e pela atriz Jada Pinkett Smith. Eles cogitam o boicote da cerimônia e revelaram que não vão comparecer à premiação. A própria presidente da instituição, revelou que havia ficado decepcionada com a falta de negros entre os indicados. Além de Cheryl, diversas personalidades, como Mark Ruffalo e George Clooney, criticaram a situação.

É preciso concordar que pouquíssimos representantes negros receberam o Oscar nos últimos anos, como Halle Berry ("A Última Ceia"), Lupita Nyong'o ("12 Anos de Escravidão") e Denzel Washington ("Dia de Treinamento"). Mas não posso concordar com o aumento de 10 vagas nas categorias de atuação, pois a Academia não é o problema, é apenas consequência de algo muito maior.

O grande problema é que indústria cinematográfica de Hollywood ainda está muito distante do que vêm sendo feito há anos na televisão. Viola Davis ("How To Get Away With Murder"), Kerry Washington ("Scandal"), e Taraji P. Henson ("Empire") são algumas das damas do horário nobre da televisão norte-americana, e também são provas de que existem papéis de qualidade para negros na telinha.  

Esses seriados são exemplos de como Hollywood precisa correr atrás do prejuízo. Além de manter alto índice de audiência, eles são adorados pelo público e premiados em cerimônias, como o Golden Globes e Emmy Awards. Na última edição do Emmy, Viola Davis entregou um discurso de agradecimento que repercutiu na mídia, e ainda é perfeito para a atual discussão. 


A atriz, indicada ao Oscar por "Histórias Cruzadas", também disse recentemente que os eleitores do Oscar deveriam se perguntar uma série de questões: “Quantos filmes de negros estão sendo produzidos anualmente? Como eles são distribuídos? Os filmes que estão sendo feitos contam com produtores preocupados em escolher um elenco diversificado? Você pode escolher uma mulher negra para aquele papel? Você pode escolher um negro para aquele papel?”.

Viola Davis ainda comentou sobre a diferença de salários entre atores brancos e negros em Hollywood. “O problema nem está nos nossos pagamentos. Você poderia listar as principais atrizes negras por aí e elas provavelmente não vão ganhar o que algumas das principais atrizes brancas ganham. Aí é que está o problema. Você pode mudar a Academia, mas se não há filmes para negros sendo produzidos, o que há para se votar?”.

Como já foi dito pela diva Viola Davis, a solução não está na criação de mais vagas na Academia, e sim na produção de mais conteúdo e papéis para negros na indústria cinematográfica. Realmente, não é possível ser reconhecido em premiações por um papel que ainda não existe. Já passou da hora de Hollywood abraçar as minorias, incluindo a comunidade latina, e mostrar que possui espaço para todos na indústria cinematográfica.

Porém, todo esse debate surtiu positivamente na atitude da Academia em renovar seu corpo de jurados. Não é de hoje que escuto reclamações sobre o perfil de quem escolhe os vencedores do Oscar. É necessário atualizar seus membros, com pessoas que representem essas minorias. É assustador pensar que hoje, apenas 2% dos membros da Academia são negros, sendo essa porcentagem um pouco menor entre os latinos. 

O peso de toda essa polêmica vai cair sobre os ombros do apresentador Chris Rock, que deverá se manifestar, ao vivo, e com muito bom humor, sobre a falta de diversidade no #Oscar2016. Como já disse nessa matéria (as grandes surpresas e os esnobados do Oscar 2016), Idris Elba e "Beasts of No Nation" foram as duas ausências que mais me deixaram irritada com a Academia em 2016. 

Também acho que Samuel L. Jackson entregou uma performance maravilhosa em "Os Oito Odiados" e poderia estar entre os 5 melhores do ano, no lugar de candidatos como Matt Damon e Eddie Redmayne. Mas não posso concordar com todo esse burburinho pela ausência de Will Smith por "Um Homem Entre Gigantes", sua atuação não está entre as melhores do ano na minha lista.

A cerimônia de premiação da Academia acontece em 28 de fevereiro, com nossa cobertura especial. Não deixe de acompanhar pelo TWITTER e FACEBOOK!




nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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