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Aquecimento Oscar 2016 - As principais atrizes do ano participam de bate-papo sobre cinema, igualdade de gênero e muito mais!

A tradicional mesa redonda da THR (The Hollywood Reporter) é um dos termômetros da temporada. A publicação reúne anualmente os principais atores, atrizes, diretores, roteiristas e produtores para um bate-papo muito descontraído e sem cortes.
Quando algumas das atrizes mais talentosas do cinema internacional se reúnem para um bate-papo, você já pode imaginar que a conversa foi no mínimo interessante.

Cate Blanchett ("Carol" e "Truth"), Helen Mirren ("A Dama Dourada" e "Trumbo"), Jennifer Lawrence ("Joy: O Nome do Sucesso"), Carey Mulligan ("As Sufragistas"), Kate Winslet ("Steve Jobs"), Charlotte Rampling ("45 Anos"), Brie Larson ("O Quarto de Jack") e Jane Fonda ("Youth") trocam experiências, discutem sobre as disparidades salariais entre homens e mulheres, e ainda ensinam como fazer xixi em cena (acredite).


Veja também: Aquecimento #Oscar2016 - Os principais atores do ano participam de bate-papo sobre cinema e racismo em Hollywood.

Jennifer Lawrence, estrela de "Joy: O Nome do Sucesso"



Jennifer Lawrence trabalhou em parceria com David O. Russell em três filmes: "O Lado Bom da Vida" (pelo qual ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz), "Trapaça", e agora "Joy: O Nome do Sucesso". Ela descreveu rapidamente seu relacionamento com o diretor: "Ele pode começar a falar e eu sei exatamente o que vai dizer. Não temos que passar pelo período de adaptação, onde precisamos ser educado com o outro. É apenas real e imediato."


"É incrível", ela continuou. "Eu quero trabalhar com ele até um de nós morrer."

Junto com as outras atrizes da mesa redonda, Jennifer também chamou atenção para a baixa porcentagem de cineastas do sexo feminino em Hollywood (veja a minha lista com as principais diretoras da atualidade) e questionou: "por que as pessoas terão confiança em uma diretora, quando há tão poucas?" 

Durante o bate-papo, Jennifer ainda revelou qual era sua carreira de segundo plano."Eu tinha um plano de cinco anos. Caso isso não desse certo, voltaria para Kentucky para me tornar uma enfermeira."

A atriz também comentou sobre os desafios que está enfrentando com seu novo projeto, o longa "Passengers", de Morten Tyldum"Eu tive a minha primeira cena de sexo há algumas semanas e foi bizarro." 

Para lidar com o constrangimento, ela disse que "ficou muito, muito bêbada" e que não conseguiu segurar a ansiedade quando chegou em casa. "Meu colega é casado", referindo-se ao ator Chris Pratt. "Pela primeira vez precisei beijar um homem casado em cena, e a culpa é o pior sentimento", segundo a atriz. "Eu sabia que era o meu trabalho, mas eu não podia dizer ao meu estômago."

"Foi apenas muito vulnerável. Você não sabe o que é demais. Você quer que tudo seja real. Isso foi o mais vulnerável que eu já estive."

Veja também: Tudo o que você precisa saber sobre o filme Joy: O Nome do Sucesso

Helen Mirren, estrela de "A Dama Dourada" e "Trumbo"


Helen Mirren é especialista em interpretar mulheres reais nas telas do cinema: ela ganhou o Oscar por seu retrato da Rainha Elizabeth II, no filme "A Rainha" (2006), e também viveu Maria Altman em "A Dama Dourada" (2015).

"Você tem a responsabilidade de se parecer com elas, falar como elas, andar como elas, e até mesmo mover as mãos como elas, mas a viagem é a mesma com qualquer personagem da ficção, é uma viagem da imaginação."

Voltando ao tópico da desigualdade em Hollywood, Helen lamentou: "Há sempre algum papel masculino que eu gostaria de interpretar. Fico tão irritada quando vejo a quantidade de papéis que poderiam ter sido interpretados por mulheres."

"Quando eu era mais jovem, foi enlouquecedor ver atrizes maravilhosas desaparecerem para atores medíocres seguirem em frente."

Cate Blanchett, estrela de "Carol" e "Truth"


A atriz se manteve ocupada ao longo do ano, adicionando dois longas de destaque ao seu currículo. Sobre o polêmico "Truth", Cate disse: "É um momento particular. O ponto de vista de alguém tem que levá-lo através da história."

"Claro que eu conheci Mary Mapes, e eu falei com ela ao decorrer da produção. Ela é uma pessoa fascinante, atraente, mas o filme era sobre ela em queda livre", disse Blanchett. "Um filme não é um documentário." 

Cate Blanchett ainda conversou sobre seu outro longa, "Carol". um romance dirigido por Todd Haynes. Quando questionada se o filme deveria ter sido dirigido por uma mulher, ela respondeu: "O gênero da pessoa não é o meu primeiro ponto de engajamento com ela, e não é com Todd. Se você olhar para todos os grandes papéis que as mulheres têm desempenhado ... Quero dizer, ele me pediu para interpretar Bob Dylan." 

Kate Winslet, estrela de "Steve Jobs"


A estrela não escondeu seu entusiasmo com o longa "Steve Jobs" e revelou que foi uma experiência única. "O filme foi escrito em três atos. A única maneira de fazer isso era ensaiar como uma peça teatral. "

"Nós não teríamos a capacidade de manter esse diálogo, e se sentir livre com ele, se não tivéssemos perfurado isso, do jeito que fizemos no ensaio", disse Kate Winslet. "Tivemos dez dias completos de ensaio para cada ato. Então, o ensaio era interrompido para voltar as gravações e vice-versa."

Veja também: A influência de Steve Jobs na indústria cinematográfica

Brie Larson, estrela de "O Quarto de Jack" (Room)


A atriz aproveitou para dividir com as atrizes sobre suas frustrações de início de carreira. "Eu não era bonita o suficiente para interpretar a menina popular, eu não era tímida o suficiente para interpretar a menina tímida, então eu nunca consegui encontrar meu lugar."

"Todo mundo tem sonhos", disse ela à mesa redonda, mas a rejeição constante fez a atriz questionar se estava no caminho certo. Larson ainda revelou que se afastou algumas vezes da atuação, mas se sentiu puxada de volta ao trabalho - uma sensação gratificante: "Parece que você está recebendo 'o chamado', é o que me impulsiona a atuar."

Sua personagem em "O Quarto de Jack" é raptada quando adolescente e mantida em cativeiro. Durante sua preparação, a atriz revelou que teve acesso a vídeos com entrevistas de garotas que passaram por esse trauma. "É de quebrar o coração", disse Brie Larson.

Charlotte Rampling, estrela de "45 anos"


Charlotte Rampling compartilhou como ela encarou a ideia do envelhecimento quando ainda era mais jovem. A atriz explicou que ela queria "ter mais conhecimento, mais compreensão, talvez mais algum entendimento. Obviamente, mais experiências, mas que isso poderia me dar o alimento para atuações futuras."

Questionada se atingiu um novo nível de compreensão, ela explicou: "Eu sou muito mais tolerante com os outros e comigo mesma, o que significa que eu tenho uma certa compreensão, porque não estou em rebelião o tempo todo. Mas eles são úteis quando estamos mais jovens, aqueles sentimentos. Eles são muito úteis porque nos levam a diante." 

A atriz vive longe de Hollywood, ela escolheu residir em Paris. "Todos nós podemos proteger nossas vidas privadas", disse ela sobre as escolhas que fez em seu estilo de vida e carreira. "Nós somos tão vulneráveis, precisamos estar vulnerável. Isso faz parte do jogo, é o preço que pagamos."

Veja também: Trailer legendado do drama "45 anos", com Charlotte Rampling

Jane Fonda, estrela de "Youth" 


A atriz contou que aceitou o papel em "Youth", pois queria trabalhar com Paolo Sorrentino. "Eu não tive oportunidade de trabalhar com Fellini ou Antonioni, e por isso esta é uma oportunidade real de trabalhar com alguém que é muito especial, muito diferente." 

"Eu nunca quis ser atriz", ela admitiu. "Meu pai (o lendário ator Henry Fonda) nunca trouxe alegria para casa, então não era algo que desejava fazer. Mas eu fui demitida como secretária, e então comecei a estudar. Lee Strasberg disse que eu era talentosa, então comecei a fazer isso apenas para ganhar dinheiro. Levei muito tempo para aprender a amar essa profissão."

Veja também: Trailer de Youth, novo filme de Paolo Sorrentino

Carey Mulligan, estrela de "As Sufragistas"


A atriz disse durante o bate-papo que realizar um filme é uma tarefa muito difícil. "A tentativa de criar um personagem consistente é extremamente difícil, especialmente quando você está filmando aleatoriamente."

"Há sempre coisas que você acha difícil. Mas a coisa mais difícil é tentar vender toda uma história". A candidata ao Oscar pelo filme "Educação" revelou que também acha interessante quando as pessoas dizem que suas personagens são "fortes", quando ela as considera "uma verdadeira bagunça". 

Quando se trata de aumentar as mulheres reais representadas no cinema, criadas por outras mulheres, Carey Mulligan argumenta, "se você ouvir falar de um filme que é feito por uma mulher, ir vê-lo, independentemente de estar interessado ou não, para que faça algum dinheiro, porque somente o dinheiro pode mudar a indústria e sua perpétua falta de diretores do sexo feminino."

Veja também: Nos bastidores de As Sufragistas, filme com Meryl Streep e Carey Mulligan



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Aquecimento Oscar 2016 - As principais atrizes do ano participam de bate-papo sobre cinema, igualdade de gênero e muito mais!

    1. nenhuma atriz negra lançou filme em 2015?

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      Respostas
      1. Pois é, muitos comentaram sobre essa questão e a THR escreveu um artigo sobre. Acho que nesta temporada as atrizes negras não conseguiram papel de destaque no cinema, pelo menos não da mesma maneira que vem acontecendo na tv, com Viola Davis e Kerry Washington, por exemplo.

        Para ler o artigo da THR: http://www.hollywoodreporter.com/news/why-actress-hollywood-reporter-roundtable-841850

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