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Jean-Luc Godard ganha maior e mais completa retrospectiva já realizada em São Paulo


Todos os filmes do diretor incluindo longas, médias e curtas-metragens, além de séries televisivas, filmes publicitários e vídeo-cartas serão exibidos, de 21 de outubro a 30 de novembro nas unidades do CCBB e de 26 de novembro a 2 de dezembro no CineSesc.

O cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard completará 85 anos de idade em 2015. Durante 43 dias, de 21 de outubro a 2 de dezembro, a Heco Produções realiza “Jean-Luc Cinéma Godard”, uma retrospectiva completa que exibirá todas as obras do diretor nos CCBBs de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e no CineSesc.

A mostra contempla a produção do cineasta em seus mais de 60 anos de carreira, com a exibição de 104 obras vindas da França, entre longas, médias e curtas-metragens, séries televisivas, filmes publicitários e vídeo-cartas, as quais exploram os temas mais variados realizados pelo diretor.

A Mostra “Jean-Luc Cinéma Godard” vai apresentar nas três unidades do CCBB (RJ, SP e DF) duas raridades da filmografia do cineasta: uma reconstituição que Godard realizou do longa-metragem “esquecido” “Salve a vida (quem puder)” e um episódio abandonado de “Seis vezes dois”, obras exibidas pouquíssimas vezes que serão trazidas pelo professor inglês Michael Witt, diretor do centro de pesquisa em filmes e cultura audiovisual da universidade de Roehampton, Londres, e autor de "Jean-Luc Godard, Cinema Historian" (Indiana University Press, 2013) e co-editor de "Jean-Luc Godard: Documents" (Éditions du Centre Pompidou, 2006). Além de apresentar os filmes, Witt também fará uma palestra em cada unidade do CCBB.

“Ao trazer obras nunca exibidas no país, a homenagem pretende inaugurar uma nova perspectiva de debate nacional em relação à filmografia do cineasta, referência para diretores de várias gerações e nacionalidades”, afirma o curador da mostra, Eugenio Puppo.

Paralelamente à exibição dos filmes, a Mostra também realiza, no dia 14 de novembro, mesas de debate em todas as praças. E nos dias 5 e 6 de novembro, cursos e palestras com convidados nacionais e internacionais. Os debates,  cursos e palestras são gratuitos.

No CCBB-SP, ocorre um debate com Ismail Xavier, professor da ECA-USP desde 1971 e professor visitante da Universidade de Nova York (1995), da Universidade de Iowa (1998) e da Université Paris III - Sorbonne Nouvelle (1999) e com o crítico e pesquisador de cinema Luiz Carlos Oliveira Jr., autor do livro "A mise em scène no cinema: Do clássico ao cinema de fluxo".

Haverá também um curso com Mateus Araújo, professor do departamento de cinema da ECA-USP e doutor pela Université de Paris I. Intitulado “Auto-retrato e Auto-crítica no Cinema de Godard”, que no curso pretende apontar e discutir as diferentes figuras do autor e da autocrítica que atravessam a obra de Godard desde seu início, nos anos 50, até os últimos trabalhos.

No CineSesc, em São Paulo, o evento contará com a palestra da francesa Céline Scemama, professora de estética do cinema na Université Paris I – Panthéon Sorbonne e autora de "Histoire(s) du cinema de Jean-Luc Godard: la force faible d’un."

Além da exibição de filmes e debates, a mostra também lançará um catálogo de 304 páginas com textos inéditos e um artigo crítico para cada uma das 104 obras de Godard. Além de pesquisadores brasileiros, contribuíram para o livro especialistas internacionais, como Cyril Beghin, integrante do comitê de redação dos "Cahiers du cinema"; David Faroult, cineasta e professor de pesquisa em cinema na Université Paris III; Dario Marchiori, conferencista em História das Formas Fílmicas na Université Lyon 2, e da professora e autora Céline Scemama.

O catálogo contará ainda com seis ensaios escritos por: Alain Bergala, professor da Université Paris III - Sorbonne Nouvelle, colaborador da revista "Cahiers du cinéma" e autor de "Jean-Luc Godard par Jean-Luc Godard" e "Godard autravail"; Raymond Bellour, professor da Université Paris III - Sorbonne Nouvelle e coautor de "Jean-Luc Godard: Son + Image"; Nicole Brenez, autora do livro "Cinéma/Politique"; o professor e doutor Mateus AraújoMichael Witt, autor de "Jean-Luc Godard, Cinema Historian" e o professor e crítico Ruy Gardnier.

Jean-Luc Godard
Jean-Luc Godard passou a infância e juventude na Suíça. Em 1952, tornou-se colaborador da revista francesa "Cahiers du Cinéma" e, durante este período, realizou cinco curtas-metragens.

No final da década de 1950, junto com François Truffaut e Claude Chabrol, Godard formou o triunvirato central da Nouvelle Vague, movimento cinematográfico francês que mudou a história do cinema. Em “Acossado” (1959), seu primeiro longa-metragem, já é possível observar procedimentos fundamentais para toda sua obra, como a desconstrução do enredo tradicional.

Ao final da década de 1960, junto ao intelectual Jean-Pierre Gorin, fundou então o grupo Dziga Vertov. O coletivo realizou, entre outras obras, “Vento do Leste” (1969), “Lutas Ideológicas na Itália” (1970) e “Vladimir e Rosa” (1970).

Os anos entre 1975 e 1980 foram marcados pelo experimentalismo com o vídeo e com a televisão. Godard e sua mulher, Anne-Marie Miéville, produziram duas séries no período: “Seis vezes dois: sobre e sob a comunicação” (1976) - doze episódios de 50 minutos cuja primeira parte é um ensaio crítico e a segunda é constituída por entrevistas feitas por Godard com personalidades diversas - e “France tour détour deux enfants”(1979), série em que Godard e Miéville continuam seu percurso em direção a uma posição crítica da comunicação, tomando emprestado os códigos da gramática televisual – reportagens, chamadas de matéria, entrevistas e clipes, criando uma espécie de "anti televisão."

Salve-se quem puder (a vida)” (1979) marcou o retorno de Godard para ficção narrativa e o cinema. A partir de então, o cineasta realizou filmes como “Carmen de Godard” (1983) e o polêmico “Eu lhe saúdo, Maria” (Je vous salue, Marie, 1985), censurado no Brasil e em diversos outros países.

A partir de 1988, a produção de Godard ganhou um caráter mais retrospectivo. A fase culminou em “História(s) do cinema”, obra em oito capítulos, que reflete a história do cinema através de seu próprio meio.

Mesmo com a idade avançada, Godard não deixou de produzir e inovar. Em 2010, lançou o longa “Filme Socialismo” e, em 2014, “Adeus à Linguagem”, obra que trabalha o 3D de maneira original, não só em relação aos seus filmes anteriores como a todo o cinema que o precede.

CineSesc
DataDe 26 de novembro a 2 de dezembro de 2015
Tel: (11) 3087-0500
Rua Augusta, 2075 - Cerqueira César – 01413-000
São Paulo - SP
Ingressos: R$ 12 (inteira); R$ 6 (+60 anos, estudante e professor da rede pública de ensino); R$ 3,50 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc).

Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
DataDe 21 de outubro a 30 de novembro de 2015
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro – 01012-000
São Paulo - SP
Telefone: (11) 3113-3651/3652
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia)
Funcionamento: de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h


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nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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