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Resenha: “The Face of an Angel”, um filme dirigido por Michael Winterbottom



Kate Beckinsale e Daniel Brühl são os protagonistas do novo filme do cineasta britânico Michael Winterbottom. Confira a crítica de "The Face of an Angel".

O filme do dia é o thriller “The Face of an Angel” (veja o trailer), ainda inédito no Brasil. A história foi inspirada em fatos reais (no caso Amanda Knox), sobre o assassinato de uma adolescente na Itália. O acontecimento ganhou manchetes em todo o mundo e chamou a atenção da jornalista Simone (Beckinsale) e do documentarista Thomas (Brühl), que partem em busca do responsável pelo crime.

A direção é de Michael Winterbottom (“O Preço da Coragem”, “Uma Viagem Para Itália” e “Bem-Vindo a Sarajevo”), um cineasta que sempre entregou projetos intrigantes e com um talento nato para retratar os horrores presentes no cotidiano. Mesmo baseado em fatos reais, e no livro escrito pela jornalista Barbie Latza Nadeau, “The Face of an Angel” não tem muito a oferecer ao espectador. O caso em si é um grande mistério, mas não é necessariamente uma grande oportunidade cinematográfica.

Todos os nomes dos personagens foram alterados nesta adaptação e o foco principal é o personagem de Daniel Brühl, que chega ao país na esperança de realizar um filme sobre o caso. O problema é que nem os personagens e nem o próprio diretor do filme sabem o que desejam extrair da história. Enquanto Thomas busca desesperadamente por uma “luz no fim do túnel”, é possível sentir o mesmo desequilíbrio no material de Winterbottom. 

Para você entender um pouquinho mais sobre a trama, Thomas precisa realizar um filme e está sob pressão de seus produtores. Simone é uma jornalista que conhece tudo sobre o caso e escreveu um livro sobre o assassinato, ela é praticamente sua “guia” em toda a trama. Ele também enfrenta um processo doloroso de divórcio, está separado da única filha, sofre de alucinações e abuso de drogas. O filme traz ainda Cara Delevingne como a simpática estudante Melanie, que começa uma amizade colorida com Thomas em meio de tudo. 

A ideia inicial parece estimulante, mas há uma pequena sensação de oportunismo no ar. Não há nada mais irritante quando Thomas lamenta que “não deseja realizar um filme sobre a morte; quer contar uma história de amor”. Winterbottom pegou uma história popular sobre um crime mal resolvido e transformou em uma crise existencial de seu personagem principal. Em nenhum momento, o cineasta ameaça entregar sua interpretação dos fatos.

Também não posso deixar de lamentar por Kate Beckinsale. Sua personagem é baseada na jornalista e autora do livro que inspirou o filme, ou seja, é a pessoa que acompanhou o caso desde o início. Infelizmente todo o conhecimento de Simone sobre o assunto não garantiu uma uma participação mais ativa da personagem na trama. Em contrapartida, Winterbottom e Paul Viragh, roteirista do filme, apostaram nas alucinações de Thomas e na entrada de Melanie, que falhou em trazer qualquer relevância para o filme.

“The Face of an Angel” não entra em muitos detalhes sobre a vida pessoal da suposta assassina e da vítima, mas ele entrega as informações necessárias para que todos compreendam o cenário. Ao lado de Daniel Brühl e Kate Beckinsale, talvez a cidade de Siena é a grande protagonista do filme. Ela possui tudo o que esperamos da história: belas paisagens, escuridão, labirintos e muito mistério.     



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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