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Resenha: Benedict Cumberbatch interpreta um gênio em "O Jogo da Imitação"

Benedict Cumberbatch e Keira Knightley são as estrelas de "O Jogo da Imitação", veja 10 curiosidades sobre o filme. “Sometimes, it is the people no one imagines anything of who do the things that no one imagines.”
“O Jogo da Imitação” é um dos filmes mais populares da temporada, sucesso absoluto no TIFF 2014, mas também o mais deprimente de todos. A vida de Alan Turing apresenta um potencial enorme cinematográfico e nada pode dar errado quando você coloca Benedict Cumberbatch para interpretar uma calculadora humana, não é?

De alguma forma, esta biografia foi feita especialmente para agradar aos membros da Academia e relembra o espectador de outros filmes do tema. Algumas das comparações levantadas a seguir foram difíceis de evitar. “O Jogo da Imitação” não deixa de ser um prato requentado com elementos de “Uma Mente Brilhante”,  mas com Cumberbatch na pele de um gênio da matemática recluso e incompreendido.

Turing e John Forbes Nash são quase irmãos gêmeos, dentro de biografias similares. O maior problema de “O Jogo da Imitação” é sua falta de ousadia, ele ficou dentro da linha, não arriscou e procurou várias maneiras de imitar o filme de Ron Howard. Em seu primeiro trabalho de língua inglesa, o norueguês Morten Tyldum fornece apenas o suficiente para explicar o que está em jogo.


 
Por outro lado, o filme é uma história tensa, sobre uma equipe de ingleses que quebrou o enigma nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Alan Turing é o grande herói, quem inventou uma máquina revolucionária, capaz de ler as mensagens enviadas pela Alemanha, e foi capaz de trazer a vitória aos Aliados - fato que deu início a era do computador. Após a guerra, Turing foi condenado por atividades homossexuais e cometeu suicídio em 1954.

É difícil compreender “O Jogo da Imitação” logo de cara. Acredito que esta era a intenção do roteirista Graham Moore, fazer de um filme, um quebra-cabeça sobre a resolução de um enigma. A trilha sonora de Alexandre Desplat aumenta ainda mais o suspense ao capturar a gravidade da situação.

Parece muito óbvio escalar Cumberbatch para o papel de Turing e, apesar da confiança inabalável em suas habilidades, há um ar de vulnerabilidade e melancolia sobre ele. Os melhores momentos de Cumberbatch é quando Turing está mais velho, incapaz até mesmo de realizar um jogo de palavras cruzadas devido ao tratamento com drogas, imposto pelo governo inglês.

Sua atuação é totalmente comprometida e inteligente, fato que não surpreende ninguém, mas, como em “Sherlock”, seu papel em “O Jogo da Imitação” possui diálogos que também divertem o público, especialmente quando precisa lidar com superiores arrogantes. Quanto ao resto da equipe, Matthew Goode destaca-se como  Hugh Alexander, que inicialmente enfrenta Turing até perceber suas habilidades. Mas se existe alguém capaz de alcançar o nível de Cumberbatch, esta pessoa é Keira Knightley, com sua interpretação de Joan Clarke.


 
Ela traz o entusiasmo, humor e a coragem que faltava para a tela. Knightley imediatamente conquista o carinho do público quando é confundida com uma candidata à vaga de secretária e surpreende decifrando códigos.  Algumas das melhores cenas do filme exploram a dinâmica entre Turing e Clarke, que vivem um relacionamento de respeito e igualdade, especialmente uma vez que ambos devem esconder suas verdadeiras identidades.

É a ausência de risco o que mais irrita em “O Jogo da Imitação”. Turing era homossexual, foi condenado em 1952, e suicidou-se por causa de sua perseguição e solidão. Cumberbatch consegue sugerir tudo isso, mas apenas contornou o assunto, pois o filme foi incapaz de retratar um único encontro entre Turing e outro homem.

“O Jogo da Imitação” gira em torno da vida privada de um gênio e adota uma atitude puritana sobre o que deve ficar privado. A biografia de Alan Turing não deixa de ser um filme importante, sua opção sexual não deveria importar, muito menos levar ao fim de sua carreira. 




nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Resenha: Benedict Cumberbatch interpreta um gênio em "O Jogo da Imitação"

    1. A coisa interessante sobre este filme, O Jogo da Imitação é que, em princípio, parece-II Guerra Mundial. Tem soldados, tanques, ecos de bombas, a sombra de Hitler. Avanços, percebemos que abrange mais do que um evento histórico. abrangido pela presente de nossas vidas. Alan Turing foi um herói injustamente esquecido. Turing não existiria sem Bill Gates ou Steve Jobs não teria existido. Mesmo algumas lendas atribuído à Apple Turing Wolf.

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    2. Um filme com excelentes desempenhos por Benedict Cumberbatch e Keira Knightley. Eu acho que o que une os dois personagens é que ambos escondendo alguma coisa, ela tem que passar por um secretário e não pode mostrar que é homossexual.

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