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Resenha: Bradley Cooper vive o sniper mais letal da história em "Sniper Americano"

Indicado a 6 Oscars, “Sniper Americano” é baseado em fatos reais e marca o primeiro filme de Clint Eastwood com Bradley Cooper.
“Sniper Americano” é dedicado à vida de Chris Kyle como um filho, um marido, um pai, e, acima de tudo, um dos snipers mais letais da história militar dos EUA - responsável por mais de 200 mortes. Inicialmente, o filme defende a necessidade da guerra antiterror, mas acaba assumindo uma postura contrária, à medida que Kyle sente na pele a tensão dessa profissão.

O roteiro, adaptado por Jason Hall, trabalha com a contradição vivida pelo personagem principal, ou seja, a necessidade de proteger o seu país e a culpa que ele carrega por matar seus inimigos. O espectador vivenciou uma experiência diferente em “Guerra ao Terror”. No filme de Katryn Bigelow, seus personagens também viviam momentos de tensão, mas o foco era documentar o dia a dia dos soldados na guerra, sem mostrar como eram suas vidas em casa. 

Clint Eastwood é um veterano do cinema e confesso que fiquei surpresa ao descobrir que este seria seu próximo projeto. Depois de filmes como “J. Edgar”, “Além da Vida” e “Invictus”, minhas expectativas eram muito baixas com “Sniper Americano”. Quando já estava perdendo as esperanças, Eastwood voltou a dirigir filmes que podem ficar lado a lado com “Gran Torino” e “Menina de Ouro”.

O simples fato de Clint Eastwood continuar trabalhando e surpreendendo aos 84 anos de idade é incrível. Ele intercala momentos de pura ação e drama, com o lado família do personagem. Não há cenas desperdiçadas ou irrelevantes neste filme. A direção de Eastwood aproxima o espectador de cada alvo abatido por Kyle, sem perder o ritmo.

As primeiras cenas apresentam um alto nível de tensão, infalível para conquistar o interesse do espectador. Eastwood mostra Kyle em um momento crucial, onde ele está prestes a tomar uma decisão importante. Esse clima de suspense é interrompido por alguns minutos para viver um flashback da infância de Kyle. Nas cenas que retratram o relacionamento entre pai e filho, “Nunca deixe o seu rifle de lado” e “Proteja seu irmão” são alguns dos ensinamentos que marcaram Kyle.

A dedicação de Bradley Cooper neste projeto precisa ser elogiada. O ator comprou os direitos para realizar o filme antes da morte de Chris Kyle, em 2013. Sua ideia inicial era trabalhar somente na produção do longa, com Chris Pratt no papel principal. Cooper também cogitou David O. Russell e Steven Spielberg para a direção do filme.

Para dar vida ao personagem, ele engordou quase 20kg e participou de um treinamento intenso com a equipe da Marinha dos Estados Unidos. “Sniper Americano” marca a terceira indicação de Bradley Cooper ao Oscar (ele já foi indicado por suas atuações em "Trapaça" e "O Lado Bom da Vida"), fato que gerou muitas críticas.

Não vou tirar o mérito do longo trabalho de Cooper neste projeto, pois ele nunca esteve tão bem. O seu comprometimento em prestar uma homenagem à família de Kyle é admirável. Durante as cenas de batalha, ele é uma pessoa sociável e irreverente, mas com sua esposa (interpretada pela irreconhecível Sienna Miller), ele demonstra uma postura contraída.

Em um mundo ideal, ele não estaria entre os indicados ao prêmio de Melhor Ator. Infelizmente, apesar do bom desempenho em “Sniper Americano”, a atuação de Bradley Cooper não está no mesmo nível de seus concorrentes e de outros atores que não foram indicados nesta temporada espetacular do cinema.

O processo de reabilitação e redenção de Chris Kyle durante sua volta para casa é comovente. Com um final inexplicável, Clint Eastwood conduziu muito bem esta história de patriotismo, tema que bate tão forte nos corações americanos. O resultado final foi convincente, mostrando que Eastwood nunca deixou de ser um diretor legendário.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


3 comentários on “Resenha: Bradley Cooper vive o sniper mais letal da história em "Sniper Americano"

    1. Um dos filmes de guerra como melhor é definitivamente Sniper. Participação Erci Ladin é notável, porque vemosaeste regularmente jogador em filmes de terror, mas neste gênero fez um grande personagem.

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    2. Filme fundamentalista demais. Parece a versão renovada daquela película que passa dentro de bastardos inglorios em q Hitler usa o filme como propaganda. Na vdd é exatamente igual, com sniper e tudo. Sniper am. É Pura propaganda de guerra, dizendo q o soldado kyle e perfeito tipo um anjo, q ajuda td mundo não comete crimes, carrega o exército nas costas, enquanto chama o inimigo d selvagem e o ridiculariza (hipócrita). Cenas d ação excelentes, mas pinta o kyle tipo um Chuck Norris, e ignora TD mundo a volta. 'Qdo os EUA fazem não é propaganda'. Filme bom para diversão mas fraco como moral. Puro fundamentalismo americano. Só mais um entre muitos para justificar uma guerra injustificável q os EUA começaram e não param por causa do lucro q gera.

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      1. Além do mais o finlandês conhecido como morte branca foi o maior atirador da história, não esse kyle.

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