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Crítica: 'Frank' (2014), um filme de Lenny Abrahamson.

Michael Fassbender esconde o rosto nesta ótima comédia musical, dirigida por Lenny Abrahamson.
Michael Fassbender já interpretou um mutante, um gladiador, um viciado em sexo e um senhor de escravos, mas o status de galã do ator está cada vez mais forte. Então, por que contratá-lo para interpretar um personagem que veste uma máscara gigante durante a maior parte do filme?

Pensando em todos os desafios que Michael Fassbender enfrentou ao longo da carreira, nada pode ser comparado com seu trabalho em "Frank". Ele foi obrigado a falar com o corpo. Os seus trejeitos e a sua mania de descrever o que acontece por trás da máscara gerou momentos de pura diversão.

Seu personagem possui algum tipo de doença mental, mas é extremamente criativo e consegue inspirar as pessoas que vivem em sua volta. Seus colegas de banda não conhecem seu rosto, pois Frank não vive sem a máscara e faz tudo com ela, inclusive tomar banho.

O personagem mais próximo da realidade é Jon Burroughs, interpretado por Domhnall Gleeson. Ele é o narrador do filme e está em busca de inspiração. A personagem de Maggie Gyllenhaal é a mais agressiva do clã e mostra-se apaixonada por Frank. Ela também é a única que consegue decifrá-lo.

Para surpresa de muitos, o filme foi baseado na vida de Chris Sievey, um músico e comediante inglês, que formou a banda 'The Freshies'. Mais tarde, ele fez peças e shows sob a máscara de Frank Sidebottom. "Frank" segue a história de um aspirante a músico (Domhnall Gleeson) que consegue entrar para uma grande banda de rock, chamada Soronprfbs. O grupo em questão é liderado pelo personagem de Michael Fassbender. 

É necessário possuir uma mente aberta para assistir "Frank". O filme explora profundamente o processo criativo dos artistas, deixando os conceitos de genialidade e loucura muito próximos. Mas o filme também levanta questões interessantes, como a necessidade de aprovação do público e a angústia que muitos sofrem dentro da sua arte.

O diretor do filme é o irlandês Lenny Abrahamson. Ele soube lidar com a excentricidade da trama, divertindo o espectador com a maneira alternativa adotada pela banda, e surpreendendo com a dose certa de emoção. O nome da banda também apresenta um desafio ao espectador, é impossível pronunciar Soronprfbs. 

"Frank" cumpre a função de uma sátira e presta homenagem aos artistas que quebram as barreiras em nome da criatividade. O filme gira em torno da ideia de loucura, mas nunca assume esse papel. Mesmo com toda a loucura de Frank, ele é visto como um semi-deus por seus colegas.

O filme possui o seu próprio ritmo, sem a pretensão de agradar a todos. Na verdade, ele sente dificuldade em manter a mesma qualidade (estabelecida pelo roteiro) em suas performances musicais. Vale a pena destacar que o próprio elenco fez questão de gravar as faixas ao vivo.

A famosa máscara de Frank provou ser libertadora e Michael Fassbender merece todos os créditos. O filme é mais que uma comédia negra. Ele desafia o espectador, confunde a nossa mente e mostra a verdadeira beleza de um roteiro profundo. É difícil colocar rótulos em "Frank", só é possível dizer que o filme é estranho, maravilhoso e único. 

Gostou? Então aproveite para conferir 10 curiosidades sobre o filme.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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