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Crítica: "Belle" (2014), um filme sobre a igualdade de gênero e raça

Abaixo, confira a resenha de "Belle", um filme de época dirigido por Amma Asante.
Você será transportado para a Inglaterra do século XVIII com a história real de Dido e o início da saga pela abolição da escravidão. Em segundo plano, "Belle"  mostra o Ministro da Justiça da Inglaterra e sua decisão sobre o caso de um navio de escravos chamado Zong, que terminou em tragédia.

Misan Sagay originou o projeto em 2004, após ver o retrato de Dido e sua prima Elizabeth. Ela desenvolveu o roteiro com a HBO, mas se afastou do projeto por problemas de saúde. Foi então que Amma Asante foi contratada para dar sequência ao projeto. Mas quando "Belle" foi concluído, o nome de Sangay não foi citado, resultando em uma batalha judicial entre a diretora e a roteirista.

 
Mesmo com todo o drama que tomou conta de "Belle", a história é muito bem estruturada e fala com naturalidade sobre as questões de igualdade e escravidão. Uma das grandes vantagens do filme é que ele não tenta passar uma lição de moral ao espectador, "Belle" simplesmente mostra que o amor não deve ser medido através da cor da pele.


"Belle" é o primeiro longa da carreira de Amma Asante no cinema. Posso imaginar que fazer sua estreia em um filme de época deve ser um pouco assustador, mas Asante mostrou confiança e se beneficiou de um elenco competente. Além de
Gugu Mbatha-Raw, o filme conta com as presenças de Matthew Goode, Emily Watson, Tom Wilkinson, Sarah Gadon, Sam Reid e Miranda Richardson.

Belle é uma verdadeira heroina de espírito independente, digna do respeito de Jane Austen e suas personagens cheias de ideias. Gugu Mbatha-Raw é a principal responsável pelo nível de emoção representado neste filme. A câmera é muito generosa com a atriz (as comparações com Lupita Nyong'o já surgiram), ela brilhou com sua postura serena e poderosa.

Não há dúvidas que Gugu terá um grande futuro no cinema, pois sua atuação em "Belle" é o destaque do filme. Ela mostrou uma variedade de emoções à medida que sua personagem, uma aristocrata confusa, transforma-se em uma mulher defensora dos direitos humanos.
 


Entre todos os grandes nomes que completam o elenco, é preciso comentar sobre a atuação de Tom Wilkinson, um ator incapaz de decepcionar em qualquer papel. Ele possui a postura ideal para interpretar aristocratas e fazer filmes de época. Wilkinson fez um retrato de um homem de respeito e grande influência, que aprendeu por experiência pessoal a complexidade dos conflitos que sua sobrinha enfrenta por ser mulher e negra. 

Como já disse antes, a estrutura de "Belle" é redonda. O filme traz romance, figurinos de época, grande elenco, mostra a luta por direitos de gênero e raça, e ainda deixa a sensação de esperança no ar. Mesmo ambientado no século XVIII, "Belle" continua extremamente relevante, talvez a luta de Dido nunca foi tão importante para a sociedade moderna.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


1 comentário on “Crítica: "Belle" (2014), um filme sobre a igualdade de gênero e raça

    1. Belíssimo filme, leva-nos à época da história e todas as tramas das famílias aristocráticas, abordando de forma límpida um tema sempre atual: a escravidão dos negros.Apaixonante!!!

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