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Crítica: A Bela e A Fera (La belle et la bête - 2014)


Após o naufrágio do navio do pai, a família de Bela é levada à falência e sofre uma mudança radical de cenário. Bela é a filha mais nova e parece não se importar com o novo estilo de vida. Certo dia o seu pai arranca uma rosa do jardim de um palácio encantado e acaba condenado à morte pelo dono do castelo. Para salvar a vida do pai, Bela vai viver com esse monstro. Lá ela encontra uma vida cheia de luxo, magia e tristeza. Aos poucos ela descobre mais sobre o passado da Fera, que se sente cada vez mais atraída pela jovem. 
‘A Bela e A Fera’ (La belle et la bête) é uma história atemporal, conhecida mundialmente e não deve ser fácil para um diretor apresentar uma versão inovadora. O filme de Christophe Gans segue um caminho próprio, diferente da bela versão lançada em 1948 e dirigida por Jean Cocteau.

A versão atual também passou longe do filme apresentado pela Disney em 1991. Mas não há dúvidas que o novo filme é um verdadeiro banquete para os olhos. Ele ganhou uma dose generosa de efeitos especiais, com cenas deslumbrantes e mostrou o potencial do cinema francês em produzir filmes da categoria.

‘A Bela e A Fera’ é o filme mais importante da carreira de Christophe Gans (O Pacto dos Lobos e Terror em Silent Hill). Não é fácil avaliar o estilo desse cineasta, pois ele possui uma filmografia compacta e irregular. Talvez a agressividade presente em seus filmes anteriores seja seu traço principal.

Os efeitos especiais são o maior trunfo de ‘A Bela e A Fera’, mas também são sua maldição. Com um visual tão espetacular, as falhas ficaram ainda mais evidentes. Só para começar, a narrativa não ganhou a mesma qualidade. Christophe Gans depende do conhecimento prévio do espectador para preencher as lacunas que o roteiro não conseguiu trabalhar.

A versão de Gans é agressiva e sai do gênero família. O relacionamento entre a Bela e a Fera não trouxe a simpatia que as versões anteriores proporcionaram ao espectador. É claro que as presenças de Léa Seydoux e Vincent Cassel enriqueceram o filme, afinal estamos falando sobre os astros mais badalados da França. Mas é preciso lamentar a falta de química entre oa atores e o número de vezes em que dividiram a tela.

Em vários momentos do filme, Seydoux e Cassel são apenas duas figurinhas confusas e perdidas no mundo fantástico de Christophe Gans. Eles não conseguiram sair do óbvio e pareciam estar de mãos atadas pela direção e pelo roteiro.

A minha impressão é que o roteiro foi alterado inúmeras vezes durante o processo. Gans deu muita importância para a família disfuncional de Bela e não trabalhou a dinâmica entre os protagonistas. Diferente das versões anteriores, Gans mostrou que esse conto de fadas é profundamente triste, mesmo com o seu final feliz.

O grande problema do filme é a falta de foco do roteiro. O interesse da Bela pela Fera não faz sentido nesta adaptação, pois faltou aquela boa dose de romance. Quando falamos de ‘A Bela e A Fera’, a primeira coisa que lembramos é o amor vivido entre os personagens e é difícil entender como o diretor não priorizou seus protagonistas.

Vale a pena ver o filme? Depende das suas expectativas e do seu conhecimento sobre a história. Se você já é fã do conto de fadas (como eu), vai se decepcionar com a veia adotada pelo diretor. Mas para não detonar completamente com o trabalho de Gans, ele conseguiu mostrar novos detalhes da história, que muitos não devem conhecer.

Acho que Gans foi vítima da sua própria ambição. Ele dirigiu um filme visualmente espetacular, com criaturas gigantes, e é possível imaginar a dificuldade que a produção enfrentou no meio do caminho. Mas todos esqueceram de valorizar aquilo que sempre deixou as pessoas encantadas com a história: o romance improvável dos personagens.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


1 comentário on “Crítica: A Bela e A Fera (La belle et la bête - 2014)

    1. Puxa puxa puxa....queria muito mesmo ver esse filme, pois nada como ver nossos contos de fadas favoritos com gente de carne e osso....mas não sei se ganhará a mesma posição que Malévola por exemplo. Mas como vc disse, já imaginava, parecem lindos cenários e tudo grandioso, mas o romance deles é o melhor de tudo né?
      bjs

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