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Crítica: Paixão Inocente (Breathe In - 2013)


‘Paixão Inocente’ (Breathe In) é a estreia do dia 26 de junho e você pode conferir aqui a resenha do filme.

‘Paixão Inocente’ (Breathe In) é um drama conjugal dirigido por Drake Doremus. Para quem não conhece o cineasta, seu primeiro sucesso no cinema foi em 2011, com o filme ‘Loucamente Apaixonados’ (Like Crazy), também estrelado por Felicity Jones.

É difícil determinar a intenção de um cineasta analisando um único trabalho, mas Drake Doremus está expandindo a sua filmografia gradualmente e parece estar interessado em explorar tendências do cinema norte-americano. Por isso, você não precisa assistir outros filmes do cineasta para entender o seu trabalho.

O roteiro foi escrito em parceria com Ben York Jones e mostra a história de uma família do subúrbio de Nova York, que decide acolher uma estudante estrangeira em intercâmbio. Mas eles não sabem que a presença desta garota vai mudar para sempre a dinâmica em casa.

‘Paixão Inocente’ mexe com a ideia da tentação e mostra o protagonista sofrendo uma crise de meia idade. Esse tema já foi bastante explorado no cinema, mas o filme consegue se destacar entre os demais pela sutileza de suas performances e sua recusa de se transformar em um retrato sobre o adultério e suas consequências.

Alguns vão lembrar de ‘Beleza Americana’ (American Beauty), mas posso garantir que eles apresentam resultados bem diferentes. Em ‘Paixão Inocente’, a diferença de idade quase não é debatida e se desenvolve com muita naturalidade ao decorrer de seus 98 minutos. Talvez a platéia sentirá um certo desconforto com a maneira que esse romance proibido é apresentado na tela.

O principal sentimento que marca ‘Paixão Inocente’ é a ansiedade e inquietação de seus personagens. Os exercícios de respiração que os protagonistas realizam para aliviar o nervosismo antes das apresentações representam muito bem essa atmosfera. A trilha sonora de Dustin O’Halloran trouxe o universo da música clássica para enfatizar a tensão deixada no ar.

Guy Pearce está posicionado no olho do furação e recebe o apoio de um elenco formidável, liderado por Felicity Jones, Amy Ryan e Mackenzie Davis. No início da trama, o interesse de Keith, personagem de Pearce, é puramente acadêmico. Ele fica impressionado com o talento de Sophie e quer participar da sua evolução como pianista.

A personagem de Felicity Jones foge de todos os clichês que retratam as mulheres avassaladoras de lares. Sophie é uma jovem reservada, talentosa, paciente, misteriosa e que parece ter freqüentado a escola da vida. Seus momentos com Keith são tranqüilos e mostram a elegância dessa história familiar.

Felicity Jones está muito confortável e segura em ‘Paixão Inocente’. Sua personagem espera ser notada pela pessoa desejada, seduzindo com seus olhares fixos e intensos. É impossível deixar passar o fato que Jones está acumulando trabalhos onde conseguiu explorar a fragilidade, raiva e sensualidade de suas personagens.

Guy Pearce retratou a inquietação de Keith muito bem, sua competência é indiscutível. Mackenzie Davis encarou seu primeiro papel de destaque no cinema e merece elogios por dar vida ao personagem mais compreensivo do filme. Enquanto isso, Amy Ryan teve uma participação compacta, mas seus poucos momentos foram valorizados quando a trama atingiu o clímax.

Talvez o maior problema do filme é a falta de experiência de Drake Doremus. A sua dificuldade em deixar a trama fluir fica evidente em algumas cenas. As motivações de Keith são claras, mas Sophie não recebeu o mesmo cuidado. ‘Paixão Inocente’ é um filme bem executado, polido, delicado, melancólico e com ótimas atuações, mas o desejo por um roteiro mais profundo permanece.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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