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Crítica: O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel - 2014)

Veja também: Top 10 - Curiosidades sobre o filme "O Grande Hotel Budapeste".

‘O Grande Hotel Budapeste’ (The Grand Budapest Hotel) é o oitavo filme da carreira de Wes Anderson, um cineasta que sempre divide opiniões. O roteiro foi escrito em parceria com Hugo Guinness, colaborador de ‘Os Excêntricos Tenenbaums’ (The Royal Tenenbaums) e ‘O Fantástico Mr. Fox’ (The Fantastic Mr. Fox). Sou fã de longa data de Wes Anderson, então posso dizer que ele atingiu um novo patamar no cinema.

O filme é um banquete inteligente, refrescante e prazeroso, com uma trilha sonora, criada por Alexandre Desplat, tão encantadora quanto as imagens apresentadas. Desde sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Berlim, ‘O Grande Hotel Budapeste’ recebeu muitos elogios da crítica e é considerado um dos filmes mais acessíveis de Wes Anderson - ele faz parte de uma safra escassa do cinema indie norte-americano.

‘O Grande Hotel Budapeste’ é ambientado na Europa, em um país fictício chamado República da Zubrowka. No ano de 1932, o país está à beira da guerra e o jovem Zero Moustafa (Tony Revolori) está trabalhando como funcionário do hotel - uma luxuosa propriedade dirigida pelo charmoso M. Gustave H (Ralph Fiennes), que passa seus dias fazendo companhia íntima aos hóspedes mais ricos e de idade mais avançada.

Quando a notícia do falecimento de uma hóspede querida, Madame D (Tilda Swinton), chega até Gustave, ele decide fazer uma breve viagem para prestar sua homenagem. Gustave logo percebe que é o protagonista do conflito que envolve a disputa dos bens de Madame D, um quadro precioso e falsas acusações sobre a morte da matriarca, o que leva Gustave à prisão. Mas com a ajuda de Zero e Ágatha (Saoirse Ronan), ele tentará fugir da cadeia para provar sua inocência.

‘O Grande Hotel Budapeste’ é um filme influenciado por um período rico e complicado da cultura européia. Hitler e Stalin não existem neste reino de faz de contas, mas ele surpreende com algumas demonstrações de violência e eventos obscuros. Podemos dizer que se trata de um acerto de contas com uma boa dose de humor, sem deixar de lado os fatos históricos que assombraram o velho continente.

O universo que envolve o filme exige um bom nível de atenção do espectador. A principal referência de Wes Anderson neste projeto foi Stefan Zweig, um célebre escritor vienense. ‘O Grande Hotel Budapeste’ possui algumas características em comum com o trabalho de Zweig: a rapidez e um senso refinado das nuances que separa a comédia da tragédia.

A exuberância das imagens e da história também deixa no ar elementos do trabalho de Peter Greenaway. Não é possível afirmar se esta foi uma das fontes de inspiração de Anderson, mas lembrei várias vezes do filme ‘O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher & o Amante’ (The Cook the Thief His Wife & Her Lover).

Como sempre, o mundo pitoresco de Wes Anderson foi criado para parecer uma maquete perfeita, que alimenta os sonhos de quem é fã dessa estética minimalista. O grande hotel Budapeste é um resort excêntrico, com lindos salões e corredores majestosos. O cenário segue a ideia de uma incrível casa de bonecas, cheia de cômodos coloridos, personagens, histórias, diversão, confusões e mistérios.

A assinatura de Wes Anderson é marcada por imagens simétricas e detalhadas, que foram envolvidas por um clima nostálgico para oferecer uma experiência única. É impossível não admirar o cuidado, a vaidade e dedicação na construção do filme. ‘O Grande Hotel Budapeste’ realiza uma homenagem ao cinema clássico, arrancando sorrisos e suspiros durante os seus 100 minutos de duração.

Entre todas as peculiaridades de ‘O Grande Hotel Budapeste’, existe uma cena que leva a medalha de ouro. É impossível não comentar o momento quando os presos arquitetam sua fuga da cadeia, utilizando equipamentos em versão miniatura que foram colocados dentro de doces extravagantes, fabricados por uma confeitaria luxuosa de Zubrowka.

Wes Anderson provou que não tem medo de abraçar o passado e sair da realidade. A receita dele inclui humor ácido, personagens excêntricos e um clima de melancolia, mas com descontração na medida certa. No cenário atual, existem poucos cineastas norte-americanos com a capacidade de articular uma visão tão original e os meios para expressá-la com liberdade.

Não há dúvidas que as principais características, que diferenciam Wes Anderson dos demais, são sua sensibilidade e estética predominante. Muitos desses traços estão presentes no filme: tomadas estáticas, retilíneas e movimentos de câmera que deslizam ao lado dos personagens como uma águia observadora. Outra característica de Anderson é a sua lealdade em relação ao elenco. Bill Murray, Owen Wilson e Adrien Brody são figurinhas carimbadas em seus filmes. 

Assista ao trailer do filme aqui!
É possível dizer que Ralph Fiennes nunca esteve melhor e é um absurdo pensar que Johnny Depp foi cotado para o papel. Gustave é energético e exigente, com um enorme orgulho no alto padrão de seu estabelecimento. Fiennes entregou uma atuação maravilhosa, que se encaixa perfeitamente no universo peculiar de Wes Anderson. Também vale destacar o grande trabalho de Tony Revolori, que rouba o coração dos espectadores com a sua admiração pelo personagem principal.

Os demais (F. Murray Abraham, Jude Law, Saoirse Ronan, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Mathieu Amalric, Edward Norton, Tilda Swinton, Jason Schwartzman, Tom Wilkinson, Léa Seydoux, Bill Murray e Harvey Keitel) fazem pequenas participações, mas  elas não passam despercebidas aos olhos do espectador. Isso também prova o prestígio que Wes Anderson possui com os profissionais do mercado, eles estão dispostos a trabalhar com o cineasta independente da grandiosidade do seu papel.  

‘O Grande Hotel Budapeste’ é o tipo de filme que merece ser visto mais de uma vez, pois o produto final é tão rico que você certamente descobrirá novos detalhes. Ainda não é possível saber se ele fará sucesso nas premiações de cinema, mas ‘O Grande Hotel Budapeste’ é um dos melhores filmes do primeiro semestre de 2014.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Crítica: O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel - 2014)

    1. Costumo gostar dos trabalhos do Wes Anderson, mas esse ainda não conferi, mas com certeza não vou deixar de ver!

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      1. Também gosto Bruna, não deixe de assistir...acho que você irá gostar. Valeu pela visita!

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