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Crítica: O Passado (The Past - 2013)



Bérénice BejoTahar Rahim e Ali Mosaffa revivem o passado no primeiro filme de Asghar Farhadi fora do seu país natal.
Quando o assunto é cinema, Asghar Farhadi é a grande exportação iraniana da última década. Sua contribuição para a sétima arte gerou trabalhos maravilhosos como ‘Procurando Elly’ (About Elly) e, o ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, ‘A Separação’ (A Separation).

Farhadi já conseguiu deixar sua marca no cinema e pode-se dizer que o estilo “farhadiano” de fazer filmes trabalha com as noções de família, sociedade, religião, política, culpa e a necessidade incansável de buscar a verdade em meio de teias íntimas.

‘O Passado’ (The Past) é o primeiro filme de Asghar Farhadi fora do seu país natal. O tipo de filme “farhadiano” consegue se distanciar de outros projetos que navegam pelos mesmos temas. Além de um orçamento modesto, os filmes do cineasta apresentam histórias impactantes, com a capacidade de romper as barreiras do cinema iraniano e atingir um público universal.

Asghar Farhadi desafia o espectador a prestar atenção em cada detalhe de seus filmes e realizar uma análise da sua obra por completo. Só para constar, em ‘A Separação’ (A Separation) o espectador acompanha o drama de um casal preso em um relacionamento fracassado, moldado pela rígida sociedade iraniana.

‘O Passado’ (The Past) é uma panela de pressão de paixão e angústia. Assim como em A Separação’ (A Separation), é a agonia do divórcio que revela a verdade de uma relação mais claramente. Seu novo filme é composto por personagens divididos entre dois estados: o casamento e divórcio, infância e adolescência, amor e ódio, vida e morte, passado e presente. 

Apesar de Asghar Farhadi ter o hábito de repetir temas, em ‘O Passado’ (The Past) a história acontece em um subúrbio de Paris. O filme está inserido em um contexto social diferente, mas o cineasta também aprisionou seus personagens, desta vez, através da sombra dos acontecimentos que marcaram um passado trágico. O suposto suicídio de Céline revelou a culpa carregada por cada personagem do filme.

Quem já conhece o trabalho deste cineasta também vai lembrar da premissa de ‘Procurando Elly’ (About Elly), onde os personagens lidam com o sentimento de culpa e a dúvida que cerca um misterioso desaparecimento.

No centro dessa turbulência, encontramos Bérénice Bejo. A atriz franco-argentina foi revelada através de ‘O Artista’ (The Artist) e colocou todo o seu talento à prova ao interpretar uma atriz do cinema mudo. Bejo está totalmente convincente em ‘O Passado’ (The Past) - sua performance mostra uma mulher simples, em fase de mudança e cuja suas ações formam um verdadeiro labirinto dentro da trama.

A precisão de Bérénice Bejo é um dos grandes destaques de ‘O Passado’ (The Past). Os significados por trás de seus olhares elevam o tom de mistério, mas ela se manteve firme frente ao caos que cerca a sua personagem. Bejo não abusa em seus movimentos e parece uma bailarina em meio de um turbilhão de emoções incontroláveis.

Paris pode até ser cartão postal de muitas histórias românticas no cinema e na mente de vários espectadores, mas a metrópole retratada no filme de Asghar Farhadi evita os clichês da cidade da luz. O cineasta mostra uma Paris ao estilo de ‘O Ódio’ (La Heine), sombria, suja e muito mais complexa do que esperamos. 

Apesar de toda a intensidade que ‘O Passado’ (The Past) carrega, o filme é uma experiência satisfatória, é algo que faz o espectador sair do cinema questionando tudo aquilo que foi colocado na tela.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Crítica: O Passado (The Past - 2013)

    1. De fato já podemos dizer que Farhadi já desenvolveu seu próprio estilo, mas será que ele não está se tornando um pouco repetitivo? Você mesma apontou a repetição de temas no seu texto, talvez isso possa atrapalhá-lo um pouco se continuar assim.

      Gostei do filme e principalmente da Berenice Bejo, cuja atuação foi merecidamente elogiada no texto!

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      1. Eu não sei qual será o próximo projeto dele, mas essa repetição de temas só gerou grandes filmes até hoje. Procurando Elly, A Separação e O Passado possuem suas semelhanças, mas elas não dominam ao ponto de cada filme ser cópia um do outro.

        Valeu pela visita. Volte sempre!

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