DESTAQUES
Pesquisar

Crítica: Em Transe (Trance - 2013)

Danny Boyle é dono de uma filmografia imprevisível e muito diversificada. Seu sucesso chegou com o cruel “Trainspotting – Sem Limites” (Trainspotting) e se consolidou com o filme “A Praia” (The Beach), estrelado por Leonardo DiCaprio. Muitos passaram a acreditar que Danny Boyle se tornaria um especialista em adaptar filmes cults para o cinema, mas todos se enganaram.

Em seus próximos projetos, o cineasta revelou alguns coringas para apresentar ao cinema. Ele começou a surpreender com o lançamento de “Extermínio” (28 Days Later) e seguiu deixando todos espantados com a sua ópera espacial “Sunshine – Alerta Solar” (Sunshine). Mas ninguém poderia imaginar que seu projeto mais grandioso e premiado seria uma fábula de Bollywood. “Quem Quer Ser um Milionário” (Slumdog Millionaire) ganhou oito prêmios no Oscar, incluindo melhor direção para Danny Boyle.

Ainda polêmico, claustrofóbico e chocante, o cineasta seguiu para um caminho incomum e trouxe aos cinemas a história real de Aron Ralston, que testou todos os seus instintos de sobrevivência em “127 Horas” (127 Hours) e deixou espectadores atormentados no mundo inteiro. Finalmente, chegamos ao elegante “Em Transe” (Trance), um filme adaptado da televisão que percorre o submundo da mente humana e criminalidade em Londres.



“Em Transe” marca a parceria de Danny Boyle com o roteirista John Hodge, com quem trabalhou no início da carreira. Como nos filmes de Christopher Nolan, “A Origem” (Inception) e “Amnésia” (Memento), o filme de Boyle possui uma narrativa complexa, fala sobre a mente e seus mistérios, sobre a aparência e realidade, verdade e mentira. A história traz o universo da “arte de roubar” que relembra os bons e velhos tempos quando ainda era possível invadir uma sala de leilões e pegar uma obra valiosa. Ao mesmo tempo, o filme também apresenta um universo moderno, cheio de medidas de segurança de alta tecnologia.

Na trama, acompanhamos Simon (James McAvoy) e a sua tentativa em recuperar uma obra de arte roubada para pagar sua dívida de jogo a um grupo de gângsters, liderado por Franck (Vincent Cassel). Após uma pancada na cabeça, Simon sofre de amnésia e a quadrilha decide contratar uma misteriosa hipnotizadora para descobrir o paradeiro da obra tão desejada.


É muito difícil analisar “Em Transe” (Trance) sem entregar detalhes fundamentais da trama. O filme é repleto de predadores e o nome da protagonista (Drª Lamb) representa muito bem essa ironia. Ele possui três personagens principais, que dividem a responsabilidade em diferentes momentos da história. Mas é muito difícil simpatizar com as situações que cada um deles vive na trama. O gângster Franck é o único personagem lúcido durante todo o trajeto e ele descobre, ao lado do espectador, todas as surpresas que o filme guarda a sete chaves.

 Não resta dúvidas que Danny Boyle está na sua melhor forma cinematográfica, mas, em alguns momentos, o cineasta fica preso à história e esquece de estabelecer aquela boa dose de conexão humana em seus filmes - fator que transformou “Quem Quer Ser um Milionário” no grande destaque da sua carreira e em um sucesso de crítica e público. Apesar da dificuldade em compreender os personagens, o filme explora a realidade urbana com um toque de sofisticação, ausente em filmes como “Trainspotting – Sem Limites”.

A violência apresentada no filme foi embalada pela atuação pontual de Vincent Cassel, famoso por interpretar personagens ameaçadores. Na verdade, ele deu vida a um gângster mais do que normal, é possível compreender seus interesses e a razão pela qual ele atormenta a vida do personagem de James McAvoy. No filme, Cassel também conseguiu deixar a sua marca pela transparência que abordou seu personagem. James McAvoy teve um desempenho mais confuso, estabelecendo um ritmo que não acompanhou seus colegas de elenco. Foi somente durante as cenas de hipnose que McAvoy conseguiu seus melhores momentos.


Levando em consideração tudo o que já foi dito, Rosario Dawson entra em cena calmamente e injeta uma dose fatal de sensualidade no papel da hipnotizadora Drª Elizabeth Lamb, que também possui seus próprios interesses na descoberta do paradeiro da obra de Goya. Sua presença foi mais do que necessária para desestabilizar os dois personagens masculinos. Rosario Dawson sempre foi muito popular com o público e vê-la no papel de uma mulher tão poderosa, inteligente e determinada trouxe o destaque que a sua carreira precisava.

“Em Transe” (Trance) é um filme cheio de acidentes e truques para confundir a mente do espectador. Danny Boyle controla os personagens como em um jogo de xadrez, sem medo de diminuir o alcance do filme com o público em geral. Como em qualquer sonho, falta lógica para “Em Transe” (Trance), mas o filme é uma excelente opção de entretenimento para quem gosta de uma história repleta de mistérios e desilusões.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


0 comentários on “Crítica: Em Transe (Trance - 2013)

    Sua opinião é muito importante!