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Crítica: Blue Jasmine (2013)

Cate Blanchett ganhou o Oscar de melhor atriz com esse magnífico retrato de uma mulher no limite.

Woody Allen leva o espectador em uma jornada movida por ansiedade, pesadelos e colapsos nervosos. Pode parecer exagero, mas “Blue Jasmine” é um dos filmes mais cruéis da carreira de Woody Allen. O cineasta nunca foi famoso pela sua generosidade em relação aos personagens que já desenvolveu, mas foi muito bom vê-lo saindo da sua zona de conforto, trazendo um universo contemporâneo, movido pela cultura, política e questões sociais.

“Blue Jasmine” intercala entre o passado e o presente, onde a extravagância de uma sociedade bate de frente com a dura realidade da crise, acentuando a ideia de fragilidade do mundo mágico que envolve Nova York e o Upper East Side. No filme, a tragédia supera a comédia, mesmo assim, Woody Allen proporciona ao espectador momentos de leveza.



Após o sucesso avalassador de “Meia-noite em Paris” (Midnight in Paris), “Blue Jasmine” reforçou que Woody Allen ainda vai contribuir muito ao cinema. O filme trouxe elementos de alguns dos seus trabalhos anteriores, como “Crimes e Pecados” (Crimes and Misdemeanors), “Maridos e Mulheres” (Husbands and Wives) e ainda contém pitadas das loucuras de “Melinda e Melinda”. Mas a maior referência, encontrada dentro de “Blue Jasmine”, foi arrancada do filme “Uma Rua Chamada Pecado” (A Streetcar Named Desire). 

A personagem de Cate Blanchett é a versão atual das musas de Tennessee Williams. O desespero de Jasmine é sentido na pele do começo ao fim, desde sua chegada no aeroporto de São Francisco, onde fala compulsivamente com uma estranha, até sua isolação total em um banco de praça. A protagonista de Woody Allen está sempre à procura de um drink para conter os seus ataques de pânico e não consegue se divertir em momento algum.



A maravilhosa atuação de Cate Blanchet no papel de Jasmine provou o motivo pelo qual Woody Allen construiu todo o filme em volta da personagem. Jasmine não é apenas cega, ela também é alcoólatra e doente mental. Com a evolução da história, o espectador se depara com uma mulher pretensiosa, esnobe e que pode ter sido cúmplice de todos os crimes do marido. Mesmo assim é possível estabelecer uma grande afeição por ela. A dedicação demonstrada por Cate Blanchett é inspiradora. A atriz mergulhou nas loucuras da personagem e construiu um caminho sem volta. Sua presença em cada cena é tão forte que o espectador consegue sentir o mesmo gosto do medo e da fragilidade sentida por Jasmine.

A atriz Sally Hawkings já é familiar no campo cômico, pois ela já se destacou em papéis renomados, como no filme “Simplesmente Feliz” (Happy-Go-Lucky).  A sua Ginger representa o oposto da irmã, ela vende simpatia e positivismo frente a qualquer situação. É importante lembrar que a atuação de Sally Hawkings foi uma das melhores dentro da categoria de atriz coadjuvante em 2013. Alec Baldwin e Bobby Cannavale também completaram o elenco de apoio, sendo que Baldwin já pode começar a fazer coleção de papéis onde interpreta homens de negócios, revelados como grandes canalhas.




“Blue Jasmine” também pode ser considerada uma fábula pós-crise americana. Woody Allen abandona o espectador com uma Jasmine cega, que está afundando cada vez mais na sua demência. Não é a primeira vez que o cineasta demonstra este nível de crueldade. Vale lembrar que Woody Allen já deixou alguns personagens prisioneiros dos seus próprios delírios, como em “A Rosa Púrpura do Cairo” (Purple Rose of Cairo) e “Vicky Cristina Barcelona”.

Apesar de todos os comentários positivos, “Blue Jasmine” não é o filme mais simpático ou acessível da carreira de Woody Allen. É inegável que a história de Jasmine conquista o coração do espectador e carrega junto com ela atuações memoráveis, dignas de toda a nossa admiração.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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