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Crítica: Trapaça (American Hustle - 2013)


Com um roteiro escrito por David O. Russell e Eric Warren Singer, “Trapaça” (American Hustle) é baseado numa história fictícia sobre uma operação do FBI chamada Abscam, que resultou na condenação de vários servidores públicos americanos em crimes de corrupção. 

Exatamente como em “O Lado Bom da Vida” (Silver Linings Playbook), David O. Russell joga o roteiro pela janela e mostra ser um diretor focado em trabalhar com os personagens. Mas quando um filme precisa recorrer ao figurino ousado de suas protagonistas, nós podemos tirar uma conclusão: o roteiro deve ser problemático. 

A sensação de caos está presente em quase todos os filmes de David O. Russell e em “Trapaça” (American Hustle), tudo se resume nesse visual extravagante de uma década que permite a produção ir além dos limites. O filme comete excessos e não passa de uma história superficial, que se sustenta através do estrelismo do seu elenco (Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro e Jeremy Renner). 

“Trapaça” (American Hustle) é uma fachada e não um grande filme. A trama ameaça abordar a corrupção nos Estados Unidos, mas se perde na sua própria ambição. Aqui os vigaristas, os políticos corruptos e a máfia são mais admiráveis do que os próprios agentes do FBI. A falta de foco é tão grande que realmente nos faz questionar alguns pontos. Será que realmente era necessário todos aqueles flashbacks? Logo na abertura vemos Christian Bale demonstrando sua capacidade de transformação física, ostentando uma barriga impressionante e aplicando uma peruca estranha para criar seu personagem disco-brega.

O filme foi vendido e promovido internacionalmente como um drama sério, sobre crime e corrupção, então imagine a minha surpresa ao ver que ele é quase uma comédia. Um dos momentos de maior credibilidade é quando o personagem de Robert De Niro entra em cena, como um mafioso que coloca Christian Bale no seu lugar. Não há dúvidas que Bale é um ator determinado e dedicado, só é lamentável que ele sofreu toda essa transformação para um papel tão canastrão. 

O grande destaque vai para a atuação de Amy Adams, na pele de Sydney e Lady Edith. Ela consegue roubar a cena mostrando poder, classe, confiança e sensualidade, sempre deixando Christian Bale e Bradley Cooper de escanteio. O mesmo acontece com Jennifer Lawrence, mas não de forma tão positiva, pois ela acaba perdendo a naturalidade em quase todos os momentos do filme. Por característica própria, sua personagem já demanda uma certa atenção, mas Lawrence entrou nesse ciclo excessivo de David O. Russell e a sua performance sai completamente dos eixos.

Ao analisar cena por cena, “Trapaça” (American Hustle) é apenas um filme regular, que sofreu influências de clássicos do gênero, dirigidos por Martin Scorsese (Casino e Os Bons Companheiros) e Paul Thomas Anderson (Boogie Nights). Infelizmente, ele não consegue atingir o nível de qualidade de filmes como "Argo" e a sua história não se sustenta até os últimos minutos. Esse caso de amor entre David O. Russell e Hollywood ainda é muito estranho, considerando que "Trapaça" (American Hustle) tem o maior número de indicações ao Oscar em 2014, mas não é o concorrente mais digno em nenhuma das categorias. 

Talvez esse filme seja a maior trapaça da temporada, pois o espectador é enganado a acreditar que o filme se trata de um assunto, enquanto David O. Russell entrega um produto completamente diferente. É preciso assistir "Trapaça" (American Hustle) pelo elenco comprometido, o figurino exuberante, pelos cenários da década de 70, os penteados volumosos dos personagens e nada mais. 



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Crítica: Trapaça (American Hustle - 2013)

    1. parabéns pela crítica! Adorei e já cpt na Fanpage Antes Que Ordinárias.
      Beijinhos
      Patt

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