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Crítica: Segredos de Sangue - Stoker (2013)

O cineasta Chan-Wook Park conquistou a atenção dos amantes do cinema com projetos nada convencionais. De origem sul-coreana, seus trabalhos anteriores incluem: "Mr. Vingança" (2002), "Lady Vingança" (2005), "Sede de Sangue" (2009), e "Oldboy" (2003). Seu primeiro longa foi lançado em 1992, titulado "Moon Is the Sun’s Dream", mas o sucesso internacional só chegou onze anos depois, com o aclamado "Oldboy". O filme ainda é considerado como um dos melhores filmes do gênero de suspense e Chan-Wook Park se consagrou no cinema. Ele criou uma categoria própria através de sua estética obscura e inovadora.

O sucesso absoluto de Chan-Wook Park gerou grandes expectativas para a sua estreia no cinema norte-americano. “Segredos de Sangue” (Stoker) é o seu primeiro filme em língua inglesa e narra o drama de India Stoker (Mia Wasikowska), após perder seu pai Richard (Dermot Mulroney) em um trágico acidente de carro. A solidão de sua casa e o clima tranquilo da cidade são subitamente abalados não só por este misterioso acidente, mas com a chegada repentina de seu tio Charlie (Matthew Goode), um desconhecido para toda a família. Logo após sua chegada, Índia começa a suspeitar de que este misterioso homem tem segundas intenções.
 
Chan-Wook Park está muito bem acompanhado em sua estreia fora da Coréia do Sul. O elenco do filme é extraordinário e levou quase três anos para ser definido. Originalmente, Carey Mulligan e Jodie Foster foram escaladas para os papéis de mãe e filha, mas foram substituídas pelas australianas Mia Wasikowska e Nicole Kidman. O elenco de “Segredos de Sangue” também é formado por Matthew Goode, Dermot Mulroney e Jacki Weaver. 

A história se desenrola lentamente e apresenta personagens fascinantes. O roteiro de Wentworth Miller (Prison Break) se mantém forte durante todo o filme e entrega grandes diálogos, que são levemente acentuados pelo clima frio e sombrio estampado na tela, característica clássica da direção de Chan-Wook Park. Para muitos fãs do cineasta, isso é um problema. Visando atingir uma platéia ampla, muitos momentos de violência e depravação foram suavizados neste filme. 

Longe de ser uma decepção, “Segredos de Sangue” não atinge o mesmo nível de intensidade dos trabalhos anteriores de Chan-Wook Park. É totalmente compreensível que o cineasta enfrente conflitos durante sua transição para o cinema hollywoodiano. Olhando bem de perto, “Segredos de Sangue” é um grande suspense. O cineasta trouxe para o filme todas as características presentes em seus trabalhos anteriores, porém de forma discreta.
 
O papel de India Stoker foi extremamente disputado pelas atrizes Carrey Mulligan, Kristen Stewart, Rooney Mara, Emily Browning, Emma Roberts, Bella Heathcote e Ashley Greene. Mas a performance distante de Mia Wasikowska exaltou o sentimento sombrio que cerca todo o filme. India é uma adolescente solitária e que acumula hábitos estranhos para uma jovem de 17 anos. A versatilidade mostrada por Wasikowska é impressionante. A atriz está formando um currículo extraordinário no cinema e já pode ser considerada como uma das melhores de sua geração. Os olhares confusos, o tom sereno de sua voz e a tranquilidade de seus gestos escondem perfeitamente um desfecho que corre nas veias da família Stoker. 

As atuações de Nicole Kidman e Matthew Goode também não ficam para trás. Assumindo os papéis de coadjuvantes da história, eles também impressionam o espectador e atravessam a onda serena de mistérios que sustenta o filme. Matthew Goode faz o misterioso tio Charlie de uma maneira charmosa e um pouco debochada. O ator está sempre com um sorriso no canto da boca, olhares profundos e cada diálogo é calculado para não entregar detalhes do passado de seu personagem.

Emocionalmente instável, a personagem de Nicole Kidman sofre com a morte do marido e com o relacionamento distante com sua filha -um tópico que merecia mais cenas dentro do filme. Um dos momentos mais tensos é quando India entra no quarto da mãe e a surpreende com um gesto de carinho, evoluindo para um clima apavorante entre as personagens. 

Por mais absurdas, as revelações do filme encaixam-se perfeitamente e conseguem surpreender o público até o último segundo. Instigante, visualmente belíssimo e sem oscilações, “Segredos de Sangue” é o trabalho mais intelectual da carreira de Chan-Wook Park e merece entrar para lista dos melhores lançamentos de 2013.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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