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Crítica: A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty - 2012)

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) mantém um alto nível de suspense em seus 157 minutos de duração e Kathryn Bigelow dramatiza a caçada por Osama Bin Laden com maestria.
A data que virou um marco na história mundial parece não ter descanso no cinema. Inúmeros filmes e documentários já trataram sobre os acontecimentos de 11 de setembro e as conseqüências da guerra que sugou a alma dos norte-americanos. Certamente, “A Hora Mais Escura” (Zero Dark Thirty) não será o último filme a retratar este drama, mas os esforços de Kathryn Bigelow não deverão passar despercebidos, afinal de contas, seu novo longa-metragem nada mais é que o principal filme do ano. 

A primeira intenção de Kathryn Bigelow era narrar o fracasso dos Estados Unidos na caçada pelo terrorista mais procurado do mundo. Mas após uma década de investigação, em maio de 2011, Osama Bin Laden foi morto pelas tropas norte-americanas e o filme precisou ser re-escrito completamente. Mark Boal é o roteirista de confiança da cineasta e eles estabeleceram uma parceria de muito sucesso desde o lançamento de “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker), filme ganhador do Oscar em 2010. 

O título do filme faz referência ao vocabulário utilizado pelos militares para indicar a hora mais escura do dia, ou seja, a hora ideal para o ataque. O elenco de “A Hora Mais Escura” sofreu inúmeras alterações ao longo dos anos. Rooney Mara, Tom Hardy, Idris Elba e Guy Pearce foram cogitados por Kathryn Bigelow para os papéis principais, mas Jessica Chastain, Jason Clarke, Joel Edgerton, Edgar Ramírez e Chris Pratt foram os escolhidos para completar o elenco final.
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Kathryn Bigelow esperou o fim das eleições presidenciais norte-americanas para lançar “A Hora Mais Escura” e o timing não poderia ser melhor. A caçada por terroristas nunca esteve tão na moda nos Estados Unidos. O tema não só originou o filme de Bigelow, mas também é sucesso na televisão com o seriado “Homeland”, protagonizado por Claire Danes. Apesar das tramas serem diferentes, ambas as produções entregam o cérebro da investigação nas mãos de personagens femininas e é impossível evitar comparações entre elas. 

Maya (Jessica Chastain) é uma agente da CIA cuja primeira experiência é no interrogatório de prisioneiros após os ataques da Al Qaeda contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. Ela questiona as torturas aplicadas aos detidos, mas acredita que a verdade só pode ser obtida através de tais métodos. Durante vários anos, ela coordena uma busca intensa por pistas do paradeiro de Osama Bin Laden e acredita que a chave para este mistério é a localização de seu fiel mensageiro, Abu Ahmad. Com o apoio de uma equipe de elite da Marinha norte-americana, Maya finalmente encontra Abu Ahmad e começa a estruturar um plano para invadir o complexo onde o terrorista se esconde. O único problema é convencer seus superiores e o presidente dos Estados Unidos que Osama Bin Laden está escondido no mesmo local que seu mensageiro. 

“A Hora Mais Escura” é alvo de inúmeras críticas devido as cenas de tortura retratadas no início do filme, mas a visão de Kathryn Bigelow e Mark Boal continua intacta. Ao mesmo tempo em que o filme retrata um sentimento de obsessão, ele também questiona se a personagem principal abriu mão de seus princípios e dedicou toda a sua vida profissional nesta tarefa quase impossível. O roteiro de Mark Boal imprime um tom extremamente jornalístico em torno de uma série de ataques terroristas, como os atentados na Arábia Saudita e Inglaterra.

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A construção do filme exigiu anos de pesquisa intensa, o que proporcionou a sensação de veracidade em cada cena. Kathryn Bigelow é extremamente detalhista e evitou usar imagens políticas no filme. A única conexão que Bigelow faz com o atual presidente dos Estados Unidos é através de um breve pronunciamento televisivo, onde ele critica qualquer prática de tortura dos prisioneiros de guerra. A diretora também conseguiu criar um cenário ameaçador que transmite uma tensão crescente e mostra a fragilidade dos centros da CIA estabelecidos no Oriente Médio.

O perfeccionismo de Kathryn Bigelow e Mark Boal realmente deixa qualquer amante do cinema de queixo caído. A seqüência da invasão do complexo onde Osama Bin Laden viveu possui aproximadamente 25 minutos de duração. Segundo relatos da CIA, a equipe de elite da Marinha levou o mesmo tempo para evacuar o complexo. Sem dúvidas, “A Hora Mais Escura” é o melhor filme da carreira de Kathryn Bigelow e talvez o mais pessoal, pois a intensidade de sua direção reflete diretamente com a visão da personagem principal.

Jessica Chastain deu vida a uma personagem extremamente competente e focada em atingir seu objetivo. Maya não tem vida pessoal, raramente aparece descontraída e evita fazer amizades no trabalho desde que sua única amiga, interpretada por Jennifer Ehle, morreu em um atentado no Afeganistão. O talento de Jessica Chastain é indiscutível. A atriz, que foi descoberta por Al Pacino, domina cada cena e carrega um grande elenco masculino nas costas. Sua personagem não apresenta o mesmo nível de intensidade de Carrie em “Homeland”, mas Chastain evoluiu junto com a sua personagem.

“A Hora Mais Escura” não deixa um gosto exacerbado de patriotismo na boca do espectador, pelo contrário, o filme foi feito para homenagear aqueles que dedicaram suas vidas nessa missão e sofreram com as conseqüências deste trabalho tão arriscado. Indicado em quatro categorias no Globo de Ouro e um dos grandes favoritos ao Oscar 2013, “A Hora Mais Escura” é um suspense avassalador que se tornou referência absoluta quando o assunto é capturar terroristas. Missão cumprida Kathryn Bigelow.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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