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Crítica: Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club - 2013)

Inspirado na história verdadeira de Ron Woodroof, “Clube de Compras Dallas” (Dallas Buyers Club) percorre um caminho delicado entre fato e ficção, uma vez que o filme apresenta um anti-herói acidental em guerra contra os estabelecimentos médicos e o governo norte-americano - representado neste filme através do polêmico Food and Drug Administration (FDA).

Na trama, Woodroof é um eletricista heterossexual de Dallas que foi diagnosticado com AIDS em 1986, uma das épocas mais obscuras da doença. Embora os médicos tenham lhe dado apenas 30 dias de vida, Woodroof se recusou a aceitar o prognóstico e criou uma operação de tráfico de remédios alternativos, ou seja, ilegais. Indicado ao Oscar na categoria de melhor roteiro original, a história do filme foi escrita por Craig Borten e Melisa Wallack. 

Não foi a primeira vez que tentaram gravar “Clube de Compras Dallas” (Dallas Buyers Club). Durante a década de 90, Dennis Hopper foi escalado para dirigir o filme, com o ator Woody Harrelson no papel principal. Mas o financiamento necessário chegou somente em 2012 - o projeto recebeu um pequeno orçamento de cerca de 5 milhões de dólares.


O cineasta canadense Jean-Marc Vallée (A Jovem Rainha Victoria) assina a direção de “Clube de Compras Dallas”. Ele aborda o universo da AIDS logo no início do filme, mostrando sequências onde o personagem principal não toma o mínimo cuidado com sua saúde e vive em um ambiente tóxico, com picos de agressividade e covardia. Vallée consegue fisgar o espectador com a contraposição da comédia e tragédia. O diretor trouxe um ar naturalista ao filme, onde tudo é desprovido de qualquer refinamento, inclusive o seu elenco.

Se existe algum ator em Hollywood que soube aproveitar suas oportunidades, essa pessoa foi Matthew McConaughey. Além de seu trabalho em “Clube de Compras Dallas,” ele também faz parte do elenco de “O Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street), filme do diretor Martin Scorsese. O ator ganhou fama em Hollywood ao interpretar o bom moço em comédias românticas, ao lado de atrizes como Sarah Jessica Parker e Kate Hudson. 

Mas nos últimos três anos, a carreira de Matthew McConaughey tomou um rumo inesperado e o ator passou a interpretar personagens  memoráveis, como nos filmes “Killer Joe – Matador de Aluguel”, “Magic Mike” e “Amor Bandido”. Assistimos uma brilhante evolução de McConaughey no cinema, que passou de namoradinho conquistador para ator respeitado de Hollywood.


A perda de peso sofrida por Matthew McConaughey e Jared Leto é o assunto mais debatido da temporada. Talvez o que muitos não saibam é que suas performances são profundas e não impactam somente pela dramática transformação física. Neste filme, McConaughey é a figura do cowboy Marlboro debilitado. Sua dinâmica com Rayon, interpretado por Jared Leto, cresce a cada cena e conquista a simpatia do público. Jennifer Garner aparece em um papel secundário e também muito simpático, mas ela não consegue se destacar ao lado de McConaughey e Leto.

Matthew McConaughey é um dos atores mais requisitados do momento, não resta dúvidas que 2013 foi o melhor ano de sua carreira. Além de vender simpatia durante toda a temporada de premiação, tudo indica que ele será o grande vencedor do Oscar em 2014, junto de Jared Leto. Já esse ator ficou quase cinco anos longe do cinema e está praticamente irreconhecível no filme. Leto criou um papel cheio de alma e com uma boa dose de humor, retratada em diversas cenas. Rayon é o personagem que sustenta “Clube de Compras Dallas,” é aquele que preenche as lacunas com sentimentos de esperança e coragem. 

“Clube de Compras Dallas” entra na política de como as drogas são aprovadas e desenvolvidas nos Estados Unidos, refletindo sobre a maneira como os pacientes de AIDS são tratados. Em nenhum momento o filme mostra uma atitude pretensiosa, pelo contrário, “Clube de Compras Dallas” é o tipo de filme que busca envolver e informar o espectador sobre um período negro da história mundial, que nunca esteve tão vivo.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Crítica: Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club - 2013)

    1. O filme é fantástico e um Oscar foi pouco.
      A perda de peso depreciou até a qualidade da pele.
      Ele foi bom demais. Já assisti no cinema e como boa cinéfila, sou colecionadora, assi que estiver disponível, eu compro.

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      1. O filme mereceu toda a atenção que recebeu. Valeu pela visita!

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