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Crítica: "E Agora, Aonde Vamos" (2011)

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A espera pelo próximo filme de Nadine Labaki certamente deixou muitos ansiosos. Quatro anos após o lançamento de "Caramelo", a cineasta franco-libanesa repetiu a mesma fórmula de sucesso e entregou uma trama que arranca suspiros. Quem não é familiar com o trabalho de Labaki, precisa saber que ela é uma das principais forças femininas do cinema internacional. Mesmo com poucos filmes em seu currículo, a cineasta possui o dom de explorar a cultura da sua terra natal, traduzindo suas histórias para que o mundo conheça suas raízes.

"E Agora, Aonde Vamos" (Where Do We Go Now?) foi escrito, dirigido e estrelado por Nadine Labaki. Repleto de músicas agradáveis e muita intriga, o filme caminha pelos limites da controvérsia, insinuando que se as mulheres estivessem no comando do Oriente Médio, não haveriam tantas guerras. O filme é uma fábula doce e amarga sobre a realidade vivida pela população da região. Com pitadas de humor e drama, ele nunca perde o rumo ou a seriedade dos fatos abordados pela cineasta.
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Cercado por um cenário precário, "E Agora, Aonde Vamos" é uma tentativa ambiciosa de narrar o luto das mulheres que perderam seus filhos, maridos e irmãos para um conflito que parece não ter fim. Vivendo nessa triste realidade, as personagens decidem tomar conta do destino de seus amados. Afastados dos principais meios de comunicação, a discórdia surge de maneira natural entre os homens da vila e parece estar no sangue de cada um deles. 

Através do poder de manipulação feminina, o filme conduz o espectador para um caminho interessante e absurdo, mas o poder da narrativa de Nadine Labaki nunca permite o questionamento dos fatos vividos na trama. A primeira cena narra muito bem esse sentimento de luto, mostrando um grupo de mulheres desiludidas, marchando em direção ao cemitério para cuidar dos túmulos de seus familiares. 

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"E Agora, Aonde Vamos" seduz o espectador com músicas e personagens cativantes. Fruto de um elenco formidável, o filme consegue divertir e emocionar a plateia. Uma das cenas mais impactantes desta produção é a forma como uma mãe decide esconder o misterioso assassinado de seu filho. Mas a dor que ela carrega nos olhos causa a desconfiança das outras mulheres, que decidem investigar o fato. 

A luta pela paz e segurança está presente durante todo o filme e, mesmo com um plano de fundo muito sério, o fator comédia proporciona grandes momentos de descontração na tela. As personagens tomam as decisões mais absurdas para distrair seus homens. Elas convidam um grupo de prostitutas estrangeiras para passar um tempo na vila e dopam seus homens com um banquete de calmantes para esconder um arsenal de armas, herdado durante conflitos anteriores.

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"E Agora, Aonde Vamos" também abre espaço para o romance. A personagem vivida por Nadine Labaki é uma viúva, cristã e dona do único café da vila - lugar que ilustra as principais cenas do filme. Lá, Amal troca olhares com um homem muçulmano que está trabalhando para reformar seu local de trabalho. Mas o romance acaba sendo prejudicado com as constantes brigas entre cristãos e muçulmanos.

Extremamente original e cativante, "E Agora, Aonde Vamos" é um filme para ver e rever muitas vezes. Ele fomenta a imaginação do espectador com imagens que esbanjam charme e emoção. Nadine Labaki manteve a mesma qualidade de seu projeto anterior e prestou uma homenagem sincera ao poder feminino.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


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