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Críticas: "360: A Vida é Um Círculo Perfeito" (2012)


O sétimo filme de Fernando Meirelles convida os espectadores a dar um giro entre os relacionamentos de diversas pessoas, em diferentes locais do mundo. Com um enredo escrito pelo aclamado roteirista Peter Morgan, o mesmo de “A Rainha”, “O Último Rei da Escócia” e “A Outra”, “360” não é o tipo de filme que atrai grandes massas para as salas de cinema.

Não é a primeira vez que Peter Morgan se inspira nas diferenças entre os seres humanos ao redor do mundo. O roteirista britânico já apresentou um tema similar no filme “Além da Vida”, dirigido por Clint Eastwood. Apesar de “360” ser baseado em uma peça teatral de Arthur Schnitzler, Fernando Meirelles faz questão de deixar claro que 80% do filme pertence a Peter Morgan, que levou esse projeto para um lado muito pessoal.

“360” foi o filme escolhido para abrir o Festival de Gramado em 2012 e vem dividindo a opinião da crítica internacional desde sua estréia. O filme inicia mostrando a história de uma jovem da Eslováquia (Lucia Siposová) que vai para Viena em busca de dinheiro e acaba se envolvendo em uma rede de prostituição. Um de seus possíveis clientes é um gerente inglês (Jude Law), infeliz no casamento e que desconhece o relacionamento extra conjugal da sua esposa (Rachel Weisz) com um fotógrafo brasileiro (Juliano Cazarré). Traída pelo namorado, Laura (Maria Flor) decide voltar para o Brasil e conhece duas pessoas ao longo de sua viagem. É a partir da separação do jovem casal brasileiro, que o filme leva o espectador para um caminho ainda mais profundo.

À primeira vista, “360” é extremamente atraente, seja pelo grande elenco internacional ou pelo alto nível de talento que cerca o filme. Mas ao longo de seus 110 minutos de duração é impossível se identificar com qualquer história retratada no filme. Os personagens não recebem tempo suficiente para desenvolver suas histórias e conquistar o coração do espectador. Apesar do cunho dramático e misterioso que o filme apresenta, em nenhum momento ele consegue emocionar. É possível perceber oscilações entre o ritmo imposto pelo roteiro e os movimentos de câmera do diretor. A tentativa em destacar a importância de tomar suas próprias decisões domina o filme e atrapalha o grau de intensidade que cada história deveria receber.

O ponto alto de “360” é a visão moderna imposta pela direção de Fernando Meirelles. O cineasta brasileiro apostou em imagens vistas através de espelhos, janelas e movimentos imprecisos de câmera, que transmitiram a instabilidade de cada personagem. Os cenários urbanos também adicionaram charme ao filme e valorizaram o conceito criado pela equipe cinematográfica. Apesar da forte tentativa em retratar os diferentes ângulos de cada situação, Fernando Meirelles não conseguiu entregar um filme estimulante.

Rachel Weisz, Jude Law, Ben Foster, Maria Flor, Jamel Debbouze, Juliano Cazarré, Lucia Siposová e Anthony Hopkins formam um elenco de alto nível. Desvalorizados pelo roteiro de Peter Morgan, os personagens raramente proporcionam momentos de reflexão. Anthony Hopkins foi o único que deixou sua marca no filme, ao lado de uma simpática atuação de Maria Flor.

Com um imenso potencial e cercado por grandes talentos internacionais, o giro de “360” deixa um gosto de superficialidade na mente do espectador. A premissa promete nos levar para uma jornada complexa e estimulante, mas acaba não saindo do lugar.  



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


5 comentários on “Críticas: "360: A Vida é Um Círculo Perfeito" (2012)

    1. Sabe que eu gostei? Não é o melhor trabalho dele, mas achei tão agradável...

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      1. Eu não detestei o filme, mas as minhas expectativas estavam muito altas e o roteiro simplesmente não deu a profundidade que eu esperava.

        Obrigada pela visita e comentário.

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    2. Fernado Meirelles é fantástico e o que dizer de Peter Morgan. Simplesmente fantástico. O filme é do tipo que gosto. Mas, gostei mesmo do seu texto e da maneira como você transcorre, aqui. Não tem como não seguir este universo tão rico. Parabéns. Seguindo... Outra coisa: convido você para conhecer, também, o meu espaço. Estou com uma Sessão René Descartes e estarei finalizando neste dias com o filme: Descartes, de Roberto Rossellinni. Um abraço...

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    3. Também senti uma certa irregularidade no ajuntamento de todos esses relacionamentos, mas ainda assim uma obra que merece ser vista.

      Visite:
      www.cinemagetico.com.br

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    4. Minhas expectativas tinham diminuído desde a época em que o Fernado Meirelles parou de postar no blog, que vinha mantendo sobre o filme, o que eu não tinha visto como um bom sinal. A impressão que eu tive à cada novo post dele, era a que ele estava perdendo a empolgação pelo projeto e que tudo passou a correr de forma automática a partir de determinado ponto... Ainda não vi o filme, quero vê-lo para tirar minhas próprias conclusões, mas ainda acho que faltou motivação do próprio Meirelles durante boa parte das filmagens...

      http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/08/monty-python-em-busca-do-calice-sagrado.html

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