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Crítica: Sentidos do Amor (Perfect Sense - 2010)


No filme dirigido por David Mackenzie, o romance vivido pelos personagens de Ewan McGregor e Eva Green é abalado por uma epidemia apocalíptica, que provoca a perda sensorial nos humanos.

Nos últimos três anos, os espectadores tiveram a oportunidade de assistir inúmeros filmes sobre o fim do mundo. Lars Von Trier (Melancolia) e Terrence Malick (A Árvore da Vida) foram os cineastas que mais tiveram sucesso com seus projetos apocalípticos e, ambos, foram elogiados pela crítica internacional. À primeira vista, “Sentidos do Amor” (Perfect Sense) parece ser mais uma trágica história de romance, mas o título do filme não faz justiça a complexidade apresentada em seu roteiro.

“Sentidos do Amor” é uma produção independente britânica, vencedora no Ediburgh Film Festival. Com um roteiro original, escrito por Kim Fupz Aakeson, o filme aborda as questões do fim do mundo, onde pessoas começam a perder os sentidos do olfato, paladar, audição e, finalmente, a visão. Em meio da catástrofe, Susan e Michael começam um relacionamento amoroso e são atormentados à medida que seus sentidos vão desaparecendo, situação que gera uma terrível mudança de comportamento em toda a população.

Ambientado na fria cidade de Glasgow, David Mackenzie provoca reflexões sobre a construção e destruição de um relacionamento, que passa por estágios de adaptação, como a epidemia retratada no filme. David Mackenzie conduz esta história com muita sutileza, mantendo o equilíbrio entre a intimidade dos personagens e a agonia vivenciada nas ruas da cidade. O diretor também questiona, através da narração da personagem principal, se é possível cultivar um amor dentro de um mundo tão moderno.



"Sentidos do Amor" investe em dois protagonistas frios, arrogantes e que, na maioria do tempo, lutam para se relacionar com outras pessoas. Com duas belas atuações, Eva Green e Ewan McGregor estão em perfeita sintonia, demonstrando a sensibilidade e as falhas de seus personagens. É impossível não ressaltar a química contagiante entre os atores, que merecem entrar para a lista de melhores casais do cinema atual.

Um dos grandes acertos de “Sentidos do Amor” é que, em nenhum momento, o roteiro dá a sensação de esperança ou estimula os personagens a buscarem a cura da epidemia. A idéia de final feliz nunca esteve presente na mente de seus criadores, provando que “Sentidos do Amor” não é um típico filme de romance e drama. Ao contrário do que os espectadores mais românticos esperam, David Mackenzie e Kim Fupz Aakeson conseguiram entregar um final genuíno, emocionante e, acima de tudo, surpreendente.

Leia a resenha completa do site da obvious magazine



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


10 comentários on “Crítica: Sentidos do Amor (Perfect Sense - 2010)

    1. O filme é realmente demais! Não esperava uma história tão boa assim... E o final? Uma belezinha!

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      1. O final é espetacular!


        Valeu pelo comentário.

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    2. Uma grata surpresa esse filme. E o casal de atores que protagoniza é ótimo! Por que Hollywood não produz coisas assim hoje em dia?

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    3. Eita, muito se fala no filme - e em seu final. Lembro de me atentar ao filme por se assemelhar (em premissa) com Ensaio Sobre a Cegueira - que não sou dos maiores fãs. Quero ver!

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      1. Muito bom ver que o filme está sendo comentado na internet. É um absurdo que Sentidos do amor não foi lançado nos cinemas.

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    4. Realmente o filme bem se parece com Ensaio sobre a cegueira do brasuca Fernando Meireles, só que o filme vai mais além pelo fato de se perderem os outros sentidos, menos o do tato, que não sei pq não fora incluído. No final fiquei na dúvida se tudo volta ao normal, ou se o amor foi a única alternativa que todos teriam dali em diante.

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    5. Considero Perfect Sense (o título em portguês não me agradou desde o início e ele me fez adiar durante muito tempo a assistir o filme por achar q seria uma mera história melosa de amor! Realmente não capta a essência da obra)...como dizia considero P.S. como uma ótica expandida de ensaio sobre a cegueira, muito mais assustados e tocante. Suas personagens são marcantes e a forma como o filme foi feito (em uma linguagem bem experimental) me seduziu bastante, mesclando formas documentais e narrativa direta. A direção de arte e fotografia são primorosas, atuações perfeitas..enfim, um dos melhores filmes recentes que vi ultimamente!

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    6. O filme é emocionante, inteligente, bem escrito e surpreendente. Há algum tempo eu não via algo de tanta qualidade assim! Os protagonistas me emocionaram com suas interpretações. Parabéns pela postagem deste filme. Abraços!

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    7. O filme é belíssimo...Eva Green e Ewan McGregor arrasam.

      Obrigada pelo comentário!

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