DESTAQUES
Pesquisar

Crítica: The Lady (Além da Liberdade - 2012)

Uma emocionante cinebiografia sobre a dama da Birmânia. Leia a minha resenha do filme abaixo!
Luc Besson dirige o filme baseado na resistência birmanesa, liderada por Aung San Suu Kyi. O filme abre os olhos do espectador para o conflito asiático, mostrando o dramático retorno de uma mulher ao seu país natal. Localizado próximo à Índia, Laos e China, o atual Myanmar (também chamada de Birmânia) é cenário dessa história contemporânea de luta, paz, coragem e amor. O filme mostra os acontecimentos na vida de Suu Kyi, do prêmio Nobel da Paz à morte do esposo, como também, o fim de sua prisão domiciliar em 2010.

Aung San Suu Kyi é a filha do moderno fundador da Birmânia, Aung San, que foi assassinado pouco antes da independência do país. Casada com um estrangeiro e mãe de dois filhos, Suu Kyi deixou sua vida em Londres para cuidar da mãe doente em Rangoon - que passava por um conflito sangrento em protesto da ditadura militar. Aung San Suu Kyi foi persuadida por partidários para permanecer em Rangoon e fundar a Liga Nacional pela Democracia. Essa decisão custou o afastamento de seu marido (Michael Aris) e dos filhos (Alexander e Kim), que tiveram o visto de permanência negado pela Birmânia.

À primeira vista, “The Lady” ("Além da Liberdade" no Brasil) pode parecer um filme extremamente político, mas a luta pela democracia birmanesa é colocada em segundo plano pela direção. Levou três anos para Rebecca Frayn finalizar o roteiro do filme, que narra em flashback uma história de devoção e compreensão humana. Uma das principais falhas de “The Lady” é a simplicidade do roteiro, que deixa muitas questões importantes da vida política e pessoal de Aung San Suu Kyi em aberto.

O conflito da Birmânia não ganhou a devida atenção na mídia ocidental, mais uma razão para justificar a abordagem de Luc Besson. O filme é praticamente educacional, explicando de uma maneira comovente os sacrifícios que Aung San Suu Kyi enfrentou, mas é questionável a ausência dos motivos pelos quais ela precisou colocar sua terra natal antes da própria família. O período de prisão domiciliar também foi retratado de maneira superficial pelo cineasta.

As gravações de “The Lady” aconteceram na Tailândia e em Myanmar, com direção do francês Luc Besson - que apresenta imagens de pura inspiração. O filme traz cenas vívidas do conflito de Rangoon, mas comete erros em comum com “A Dama de Ferro” (The Iron Lady) - outra cinebiografia lançada em 2012. Meryl Streep e Michelle Yeoh entregam performances maravilhosas no papel dessas grandes damas do cenário internacional, mas o roteiro não consegue transmitir a dimensão das personagens.

Michelle Yeoh interpreta a heroína da Birmânia com muita serenidade. A atriz carrega elegantemente o peso de interpretar uma das figuras políticas mais queridas do mundo. A naturalidade de seus gestos e expressões faciais não deixam espaço para qualquer questionamento, Yeoh foi a escolha perfeita para protagonizar o filme. David Thewlis cumpre um dever duplo em “The Lady”. O ator interpreta o compreensível marido de Suu Kyi e, também, o irmão gêmeo de Michel Aris. No filme, o personagem é diagnosticado com câncer terminal e enfrenta a terrível restrição de um regime totalitário, quase tão louco como o da Coréia do Norte.

“The Lady” cumpre mais do que seu papel cinematográfico. O filme dirigido por Luc Besson é um testemunho de coragem e sacrifício, que inspira o espectador através do retrato encantador de Aung San Suu Kyi.

A resenha de "The Lady" também está disponível no site da obvious.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


8 comentários on “Crítica: The Lady (Além da Liberdade - 2012)

    1. Estou curioso para assistir, o visual dele parece ser impressionante, bem como a história, fico um pouco preocupado com a "simplicidade" da trama que você mencionou, mas ainda assim quero assistir!

      ResponderExcluir
    2. Valeu pela visita no meu blog. Não conhecia seu espaço, mas fiquei fã tb. Coloquei no meu blogroll e vou aparecer muito por aqui...hehe
      Qt ao filme, ainda não assisti, mas gosto do Luc Besson, principalmente O Profissional e Imensidão Azul. Ele ultimamente tem se voltado mais para a produção de filme e qd dirige, é sempre algo mais alternativo. O seu belo texto me deixou interessado em conferir, mesmo com suas considerações nem tão positivas.
      Abração!

      ResponderExcluir
    3. Fiquei curioso para assisitir! Já está na lista. belo texto. abraços

      ResponderExcluir
    4. Sou mais uma na lista de curiosos para assistir! Excelente texto, bem informativo.

      ResponderExcluir
    5. Assistam! o filme é muito bom e muito inspirador. Depois procurem um pouco mais da história da Birmania (Mianmar) e será ainda melhor esse conhecimento.

      ResponderExcluir
    6. Apesar da critica o filme é lindíssimo, deve ser visto por todos. Como ela disse usemos a nossa liberdade para promover a liberdade deles!!!!

      ResponderExcluir
      Respostas
      1. O filme é lindo mesmo, pena que foi mal divulgado no Brasil.

        Excluir

    Sua opinião é muito importante!