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Crítica: Terras de Sangue e Mel (In the Land of Blood and Honey - 2011)


O filme marca a estréia de Angelina Jolie na direção e coloca as atrocidades cometidas durante a guerra da Bósnia em discussão.

Nada mais coerente ver Angelina Jolie dirigindo um filme sobre as dores da guerra. A atriz mais famosa de Hollywood teve seu status elevado no cenário internacional através dos trabalhos humanitários realizados em zonas de conflito. Em “Terras de Sangue e Mel” (In the Land of Blood and Honey), Angelina Jolie exerceu dupla função atrás das câmeras, ela dirigiu e escreveu o roteiro do filme.

Ambientado durante a Guerra da Bósnia, um conflito armado que aconteceu nos Balcãs em 1992, o filme narra a história de um policial sérvio, Danijel (Goran Kostić), que se apaixona por uma pintora muçulmana, Ajla (Zana Marjanović), antes do conflito explodir em Sarajevo. Com o desenrolar da guerra, Ajla é levada para um centro de detenção junto de várias mulheres. Lá, ela é obrigada a trabalhar para os soldados e a presenciar cenas de estupro. Mas quem está no comando do centro é Danijel, que decide protegê-la dos outros soldados, deixando claro que Ajla é sua “propriedade”.


Angelina Jolie escolheu com muita inteligência o tema de sua estréia como diretora. O conflito entre os países que formam os Balcãs foi o mais sangrento da Europa, após a 2ª Guerra Mundial. Mas a guerra da Bósnia também serviu de plano de fundo para outro filme, lançado recentemente no cinema. “A Informante” traz Rachel Weisz no papel de uma investigadora da ONU em busca de acabar com o tráfico humano e trazer à tona os abusos sexuais enfrentados pelas mulheres durante a guerra na Bósnia.

Um dos méritos de “Terras de Sangue e Mel” é o tremendo esforço de Angelina Jolie em honrar as mulheres vítimas da guerra. O filme traz cenas perturbadoras de estupro e execuções em massa, com o objetivo de relembrar o mundo das terríveis condições impostas às mulheres durante todo o conflito. Mas analisar “Terras de Sangue e Mel” é uma tarefa confusa, devido ao foco imposto por Angelina Jolie. Ela prioriza cenas que retratam o amor impossível vivido entre os personagens principais, deixando o conflito da Bósnia em segundo plano.

Como um filme de guerra, “Terras de Sangue e Mel” não funciona. O roteiro busca, de maneira desesperada, cativar a simpatia do espectador para as atrocidades que aconteceram na região. Mas um de seus maiores pecados é a ausência de dados históricos e a maneira superficial de tratar os acontecimentos que deram início ao conflito. Na Bósnia, há uma grande polêmica na maneira como o filme coloca em cheque os valores dos soldados sérvios e também, as incoerências dos figurinos usados pelos atores que representam o exército na guerra.

É compreensível que Angelina Jolie decidiu não assumir certos riscos para retratar o conflito de uma forma mais inovadora. Apesar de ser uma diretora de primeira viagem, “Terras de Sangue e Mel” abraça os cenários de pura destruição e aposta em figurinos frios, deixando seus atores desprovidos de qualquer refinamento. A direção de Angelina Jolie não aposta em apetrechos cinematográficos e cenas mirabolantes de ação, típicas de Hollywood. O filme é conduzido com simplicidade e competência por parte de Angelina Jolie, que soube demonstrar sua capacidade de adaptação e deixou sua vaidade de lado para encarar esse projeto mais do que ambicioso.

Em um balanço geral, “Terras de Sangue e Mel” é um filme comovente, mas sua mensagem foi severamente danificada pela falta de neutralidade do roteiro. O filme perdeu seu foco ao retratar uma história de amor frágil, coberta de violência sem justificativa e, também, ao entregar um desfecho completamente irracional. 

Leia a resenha no site da obvious magazine



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


4 comentários on “Crítica: Terras de Sangue e Mel (In the Land of Blood and Honey - 2011)

    1. Mesmo que tenha os seus defeitos, eu quero muito ver!

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    2. Cinematograficamente, eu não espero muita coisa do filme, mas mesmo sem tê0-lo visto eu já o respeito, principalmente por saber que ele nasceu de envolvimento real da Angelina com vítimas do conflitos do tipo. Ainda que tal envolvimento seja por vezes criticado, ele serve para direcionar os olhares para as vítimas das situações instáveis que acomete algumas partes do mundo contemporâneo...

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    3. Estou curiosíssimo para conferir esse filme! Já entrou na lista de quero ver de 2012. Aproveito o ensejo para parabenizá-lo por toda a cobertura do Festival de Cannes. Ótimos posts como sempre. Grande abraço :-)))

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    4. Obrigada pelas visitas e comentários!

      Wilnson Antonio, valeu por conferir a minha cobertura de Cannes. Vc é bem-vindo aqui.

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