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Crítica: "We Need To Talk About Kevin" (Precisamos Falar Sobre Kevin - 2011)

“Precisamos Falar Sobre Kevin” é um drama familiar com uma proposta bem distante dos filmes sensíveis e emocionantes que conhecemos do gênero. A história foi adaptada do romance homônimo, escrito por Lionel Shriver. O filme aborda a conturbada relação entre uma mãe e um filho, sendo que a criança sempre apresentou um comportamento estranho e perigoso. 

Desde sua participação no Festival de Cannes, “Precisamos Falar Sobre Kevin” rendeu ótimas críticas para a diretora Lynne Ramsay e para a enigmática atuação de Tilda Swinton. Apesar de sua completa ausência na última edição do Oscar, nada ofuscará o brilho de um dos melhores filmes de 2011. 

“Precisamos Falar Sobre Kevin” captura imediatamente a atenção do espectador através da tensão criada por Lynne Ramsay. Em um de seus primeiros trabalhos, a cineasta de origem escocesa conquistou o júri de Cannes e disputou a Palma de Ouro de Melhor Direção, perdendo para Nicolas Wind Refn ("Drive"). 

Apostando nos flashbacks da personagem principal, a direção de Ramsay tira o fôlego do espectador com a promessa de um desfecho avassalador. O silencioso quebra-cabeça, criado pela cineasta, resultou em um trabalho visual fantástico. Com a predominância de tons frios e movimentos agressivos de câmera, “Precisamos Falar Sobre Kevin” deixa o espectador completamente esgotado. 

Baseado em uma história de tristeza, culpa e vergonha, a personagem principal lança olhares dolorosos e confusos para a tela, e eles são capturados com maestria pela diretora. Tilda Swinton é dona de um talento inquestionável e de uma aparência peculiar. A atriz acumula grandes trabalhos nos últimos anos, como no longa italiano “Um Sonho de Amor” (I Am Love) e no suspense “Conduta de Risco” (Michael Clayton) - filme que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. 

Em “Precisamos Falar Sobre Kevin”, Tilda entrega a melhor atuação de sua carreira ao retratar emoções nada convencionais. Ela emprestou sua figura para uma personagem traumatizada, abandonada, rejeitada pela sociedade e completamente despida de qualquer influência sobre seu próprio filho. Apesar de Meryl Streep ser a atual ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, é inexplicável a ausência de Tilda Swinton entre as indicadas.

Logo de início, é possível perceber que Kevin (Ezra Miller) não é uma criança doce e inocente. Com um pai otimista (John C. Reilly), o mal comportamente de Kevin culmina em um ato brutal. Com expressões macabras, o ator Ezra Miller merece elogios por uma atuação fria e sem remorsos. 

Da direção à trilha sonora, “Precisamos Falar Sobre Kevin” é um filme tecnicamente impecável. Ele proporciona uma experiência única ao espectador, provocando sua imaginação com uma trama de pura crueldade, mas muito próxima da realidade atual. 



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Crítica: "We Need To Talk About Kevin" (Precisamos Falar Sobre Kevin - 2011)

    1. A ausência dela, de fato, é o mistério do Oscar 2012.

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    2. Ótima resenha. Eu fiquei realmente impressionado com esse filme. Já o vi duas vezes. A Tilda se supera.

      O Falcão Maltês

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