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Crítica: "A Pele Que Habito" (La Piel Que Habito - 2011)

A primeira aventura de Pedro Almodóvar em campos hitchcockianos.


Pedro Almodóvar é um cineasta imprevisível. Em mais de 35 anos de carreira, ele mantém uma reputação incontestável como o mestre do cinema espanhol. Obcecado por uma estética visual vibrante e temas que causam polêmica, Almodóvar deixa sua marca novamente com um ousado projeto de ficção-científica que beira o terror.

“A Pele Que Habito” é a mais recente produção do cineasta espanhol e foi uma das estreias mais comentadas do Festival de Cannes. Em colaboração com Agustín Almodóvar, o filme foi adaptado da obra “Tarântula”, de Thierry Jonquet. 

Antonio Banderas vive Robert, um cirurgião plástico brilhante, assombrado por tragédias passadas. Sua grande conquista é o desenvolvimento de uma pele sintética que resiste a qualquer tipo de dano. Mas para testar sua invenção, Robert conta com Vera (Elena Anaya), uma mulher misteriosa e volátil que detém a chave para sua obsessão.

“A Pele Que Habito” viaja sobre o passado e o presente dos personagens com o objetivo de desvendar uma história surpreendente. As características melodramáticas de Pedro Almodóvar também estão presentes no filme e conduzem esse suspense psicológico. A obsessão por vingança, traição, morte, solidão, loucura e identidade sexual transformam o longa no trabalho mais sombrio e angustiante de Almodóvar. 

Com uma trilha sonora competente, Alberto Iglesias acompanha a tensão criada por Almodóvar e conduzem o espectador a momentos de puro espanto e aflição. Tecnicamente, os planos fechados do cineasta e a sobreposição de cores exuberantes ganham a atenção do público.

Através do drama vivido por Vera, Pedro Almodóvar retrata que a beleza é apenas superficial. A busca pela pele perfeita não altera a essência da personagem e o que ela sente em relação a Robert, o médico “Frankenstein”. Antonio Banderas restabelece sua parceria com o cineasta espanhol e demonstra total domínio do personagem. Frio, brilhante e certamente louco, Banderas proporciona momentos de pura raiva e piedade, na melhor atuação de sua carreira.

Elena Anaya sentiu à flor da pele as peculiaridades de trabalhar junto de Pedro Almodóvar. Com uma personagem misteriosa e aparentemente frágil, a atriz protagoniza com maestria os momentos mais importantes da trama. Marisa Paredes é figurinha clássica nos filmes de Almodóvar e esbanja competência ao representar o lado racional de “A Pele Que Habito”.

"A Pele Que Habito" não entrega ao espectador uma vítima e um vilão. Todos os personagens sofrem com as circunstâncias do destino e de suas escolhas passadas. Talvez é exatamente por isso que o longa de Pedro Almodóvar consegue ser tão envolvente.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


2 comentários on “Crítica: "A Pele Que Habito" (La Piel Que Habito - 2011)

    1. Vou repetir algo que disse algum tempo atrás: Eu preciso começar a assistir os filmes do Almodóvar!

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    2. Esse filme me deixou de queixo caido, nunca imaginei.... Almodovar é surpreendente

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