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Crítica: "A Separação" (Jodaeiye Nader az Simin - 2011)

“A Separação" apresenta um Irã desconhecido para as culturas ocidentais, quebrando preconceitos relacionados ao país e ao cinema iraniano. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, "A Separação" também se destaca por possuir um dos melhores roteiros originais da temporada.

O cinema iraniano está chamando cada vez mais atenção no cenário internacional. Nos últimos anos, o país produziu vários filmes emocionantes e é responsável por revelar grandes profissionais do cinema. Abbas Kiarostami e Samira Makhmalbaf são alguns dos nomes mais conhecidos pela crítica.

Em 2011, o grande destaque internacional foi a nova produção do cineasta Asghar Farhadi (Procurando Elly). Ambientado no cenário contemporâneo da capital iraniana, o filme narra a complicada separação de um casal e sua disputa pela guarda da filha adolescente.

"A Separação" é baseado em um roteiro original, também escrito por Asghar Farhadi. O filme carrega um ritmo frenético, aposta em cenas com diálogos extensos e retrata a briga entre o passado e o futuro iraniano com sutileza. O drama familiar vivido pelos personagens principais exige máxima atenção do espectador e mostra, através das constantes discussões, como não resolver uma disputa doméstica.

Apesar dos eventos ocorridos em “A Separação” parecerem absurdos dentro de uma realidade ocidental, Asghar Farhadi convence platéias internacionais com muita sensibilidade. O filme trabalha os valores familiares, religiosos e mostra a obsessão do cineasta com o atraso da modernização no Irã.

Quem já conhece o trabalho de Asghar Farhadi vai perceber várias semelhanças com "Procurando Elly". O cineasta utilizou a mesma fórmula de sucesso para narrar mais um drama familiar conturbado. Inicialmente, o filme apresenta uma trama confusa, mas surpreende o espectador com o desenrolar de uma teia doméstica que parece não ter um fim.
A direção de Asghar Farhadi transmite muita veracidade para as telas e carrega referências típicas de um documentário. Sendo assim, "A Separação" não apresenta uma estética visual glamurosa, pelo contrário, Asghar Farhadi aposta em movimentos de câmera na mão e cria uma proximidade com os personagens.

A trama é desenvolvida em apenas dois pequenos cenários, transmitindo um senso de desorganização através da predominância de cores pálidas e do caos vivido pelos personagens. A ausência de uma trilha sonora constante também adiciona mais intriga para a história e exige maior concentração da platéia.

“A Separação” é o tipo de filme que transpira a intensidade das atuações de todo o elenco. O destaque vai para Leila Hatami e Peyman Moaadi, que se entregaram aos seus personagens e venceram os prêmios de Melhor Ator e Melhor Atriz no Festival de Berlim em 2011. A consagração do cinema iraniano no Oscar 2012 provou a capacidade artística do Irã, sinônimo de qualidade, competência e agora, celeiro de grandes talentos internacionais.

A crítica do filme também está disponível no site da obvious



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


3 comentários on “Crítica: "A Separação" (Jodaeiye Nader az Simin - 2011)

    1. Estou louco pra assistir. Pesquisei sobre e me parece uma obra bastante sensível. Essa foi a primeira crítica que li do filme e fico feliz que tenha gostado, tanto quanto espero gostar. E acho que leva o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro!

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    2. Acabei de assistir o filme.. E infelizmente para podermos assistir produções como essa devemos recorrer a internet...

      Mesmo assim o filme é arrebatador e preferi ler as críticas somente após assistir o filme, e vejo esta que reflete as mesmas impressões que tive sobre o filme.

      Essa ideia da culpa, da dúvida sobre a culpa e que na estória não existe um lado bom e ruim definido nos aproxima da realidade. Talvez nos deixamos levar pelas impressões superficiais sobre diversos temas.

      O que acho interessante pelo filme ser Iraniano, me perguntei sobre uma determinada censura que talvez pudesse sofrer por apresentar uma cidadã que busca refugio em outro país.
      É sempre bom também termos uma outra visão sobre uma cultura tão específica, no filme demonstrada na sua "Justiça". Hoje vemos que o Irã é dado como um inimigo mundial, talvez sejamos influenciados por mania de querermos buscar um "herói" da história. Imagino que o filme corre em paralelo com a sociedade que vivemos: cada qual se expressando somente com sua verdade absoluta e individual.

      Bom, um comentário sobre o nosso cinema e a indignação que ele me dá em relação a nossa cinematografia é que a lei iraniana se assemelha a lei brasileira quanto a guarda dos filhos e a necessidade de autorização de ambas as partes para viajar ao exterior. Ou seja, necessitamos de roteiros menos superficiais urgente, quem sabe um dia?

      Consigo listar nesse momento somente "Cidade de Deus" e "É Proibido Fumar" que tenha essa excelência.

      Aproveitem e assistam!

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    3. Acabei de assisti-lo, meu Deus, que final foi aquele!!!! Sem dúvidas é um dos melhores do ano, uma verdadeira obra prima!

      Lhe recomendo também o iraniano "A Canção dos Pardais" de Majid Majidi, confira a crítica dele no meu blog: http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/04/cancao-dos-pardais.html

      Abraços, estarei lhe seguindo!

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