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Crítica - Incêndios (Incendies - 2010)

Do diretor Denis Villeneuve, "Incêndios" (Incendies) é uma produção canadense, indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011. Desde sua exibição no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), o filme ganhou a admiração da crítica estrangeira e colocou em destaque algumas das atrocidades presentes no Oriente Médio.

A história é baseada na peça de Wajdi Mouawad e foi adaptada por Denis Villeneuve para o cinema. "Incêndios” narra a história de dois irmãos gêmeos a caminho do Oriente Médio (em um país que remete ao Líbano), para desvendar o segredo que a mãe guardou durante toda a sua vida - a verdadeira identidade do pai de seus filhos e a existência de um irmão desconhecido por toda a família. 


Primeiramente, o roteiro do filme é extraordinário. Logo nas primeiras cenas, o espectador é capturado por uma sensação crescente de mistério, atingindo o seu auge com a revelação de um dos melhores desfechos do cinema atual. A avalanche de coincidências que amarra o passado da mãe com o presente da filha pode parecer implausível à primeira vista, mas as revelações familiares são suficientemente chocantes para tirar o fôlego do espectador.

No filme, mãe e filha percorrem o mesmo trajeto, dividindo suas emoções e lembranças ao longo do caminho. “Incêndios” consegue encantar através de pequenos detalhes e convida o espectador a preencher as lacunas deixadas em branco, juntamente com a personagem principal. A tensão de cada cena, o vazio dos cenários e o suporte de uma trilha sonora melancólica fazem de “Incêndios” uma obra-prima do cinema canadense.

A direção de Denis Villeneuve é um dos trunfos do filme. Com um ritmo lento, o cineasta trabalha perfeitamente o timing da história e estabelece uma forte conexão entre as personagens do sexo feminino. Villeneuve também capturou o Oriente Médio com clareza, estabelecendo logo de início a devastação emocional e social que o filme representa. Com uma cena de abertura triunfal, repleta de significados, o diretor mostra um grupo de meninos com as cabeças raspadas e com expressões faciais devastadoras.

Denis Villeneuve também obteve performances memoráveis de seu elenco, encabeçado por Lubna Azabal e Mélissa Désormeaux-Poulin. Apesar de suas personagens dividirem somente uma cena, elas entregam performances poderosas e carregaram o filme lado a lado. O restante do elenco é formado por Maxim Gaudette, Abdelghafour Elaaziz e Rémy Girard.

Segundo a crítica, “Incêndios” pode ser considerado uma tragédia grega atual, onde os crimes e suas consequências são universais e atemporais. Além do filme entregar cenas inesquecíveis e verdades que permanecem na mente do espectador por muito tempo, “Incêndios” é um marco na história do cinema canadense e merecia a estatueta do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


5 comentários on “Crítica - Incêndios (Incendies - 2010)

    1. O filme caminha bem e demonstra a qualidade das películas indicadas este ano ao Oscar de filme estrangeiro (a exceção é FORA DA LEI), mesmo com o "surpreendente" final, que ganha ares novelescos, mas nada que desabone.

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    2. que filme, hein?

      acho que vai entrar na minha lista de melhores filmes de 2011.

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    3. Respeitando a opinião da maioria dos comentadores, tenho de dizer que este filme está muito longe de ser um bom filme.

      *** SPOILER ***

      Em primeiro lugar, o argumento tem demasiados aspetos implausíveis. Uma dois coisas que eu considero mais implausíveis é como é que uma jovem adulta que, pelo que ficamos a saber com o diálogo com a avó (logo no início do filme, após o assassínio de Wahab pelos seus irmãos), nunca foi à escola e é analfabeta acaba por se tornar professora assistente (na universidade!!!) de matemática pura! Eu não digo que não possa acontecer nem que nunca tenha ocorrido, apenas acho que é inverosímil.

      Outra coisa que no argumento para mim não faz sentido é que espécie de mãe é que reservaria para os seus filhos a terrível descoberta que o casal de gémeos, e na verdade também o outro filho, acabaram por fazer. Eu consigo compreender que uma mãe (ou um pai) não consiga abandonar este mundo em paz sem contar uma verdade terrível, mas acho extremamente improvável que utilizasse a forma que esta utilizou para revelar a verdade, pois é demasiado cruel e provavelmente trará consequências brutais para o resto das vidas dos três filhos.

      Também me parece absurda toda a personagem do notário, apesar das boas memórias que o ator Remy Girard me traz (de «Declínio do Império Americano», de Denys Arcand). A sua rede de contactos é difícil de acreditar, mas se um notário é assim, da próxima vez que necessitar de um detetive, considere antes contratar um notário.

      Depois há toda a questão das idades e aparência física dos personagens, ao longo da trama. Acima de tudo, como é possível que um homem que violou repetidamente e durante vários anos uma mulher não a reconheça quando a vê numa piscina?

      É pena pois há no filme algumas boas ideias de cinema. Vê-se que não é feito por alguém sem talento. Particularmente a montagem e a fotografia/cinematografia são de nível elevado e ajudam a não tornar o filme um fracasso total.

      O argumento até começa com uma premissa bem interessante. Um casal de irmãos gémeos que, de repente, descobre que afinal pouco souberam sobre a sua mãe e que há coisas importantes que devem descobrir para compreenderem melhor quem são e de onde vieram. Também considero interessante e plausível que um dos irmãos parta de imediato nessa cruzada em busca do seu pai desconhecido, ao passo que o outro se deixa ficar, preferindo talvez fazer o luto típico da sua mãe para depois seguir com a sua vida, até ao momento em que tal se torna insustentável.

      Mas pior do que as falhas de argumento que, no fim de contas deverão ser imputadas à peça de teatro que o filme adapta, é a forma como ele é explorado pelo realizador. Há por todo o filme um desejo de manipular as emoções dos espetadores de forma sem sentido e gratuita. É óbvio que a guerra, ainda mais quando se trata de uma guerra civil, é terrível e implacável, mas há aqui demasiada violência gratuita que me parece ter o único objetivo de chocar o espetador.

      De facto, há todo um acumular de situações que roça a tortura cinematográfica: assassínios à queima roupa (mesmo de crianças) parece ser um dos pratos preferidos do realizador, mas também há crianças-soldado, violações repetidas (embora, neste caso, a violação não seja explorada graficamente).

      Como atrás referi, a guerra, todas as guerras, é um horror, mas prefiro ver a guerra como ela é ou foi num bom documentário do que numa obra de ficção.

      A cereja em cima do bolo é a forma como o realizador intercala as imagens de violência com um estilo videoclip, com música dos Radiohead, em duas cenas do filme. Eu adoro os Radiohead, mas acho que estão completamente fora de contexto neste filme e a sua música não corresponde ao tom geral do filme.

      Na verdade, este filme não é um fracasso total e a prova disso é que é de facto um filme difícil de esquecer e me compeliu a escrever este longo texto, após o ter visto pela primeira vez, ontem, na cinemateca de Bruxelas.
      Contudo, para mim, se fosse crítico de cinema e tivesse de lhe atribuir uma classificação, optaria por: 3/10.

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      1. Peço desculpa aos leitores pelo erro grosseiro de ter, a dada altura, confundido a personagem da mãe com a da filha. A mãe chegou à idade adulta sendo analfabeta, mas foi a filha que se tornou professora universitária de matemática. Mais uma vez, apresento as minhas desculpas.

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    4. Ainda bem que você não é crítico de cinema heheheh. Brincadeira, eu daria um 8/10 pra Incêndios. Único erro que me incomodou foi a questão dele não reconhecê-la na piscina. E as músicas de Radiohead caíram muito bem, pois as músicas são muito depressivas e o filme também.

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