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Crítica - Cisne Negro (Black Swan - 2010)

Na primeira postagem de 2011, "Cisne Negro" (Black Swan) é o grande destaque da última temporada do cinema e o melhor filme do ano.
Para quem sempre gostou de dramas psicológicos, "Cisne Negro" é um prato cheio e muito saboroso. Darren Aronofsky entrega um dos filmes mais impressionantes e criativos dos últimos anos. O balé sempre esteve relacionado com a elegância e suavidade, mas o cineasta norte-americano traz uma nova idéia para o tema. Em "Cisne Negro", o mundo do balé é repleto de rivalidade, intrigas e muita paranóia.

SINOPSE: A dedicada bailarina Nina Sayers (Natalie Portman) conquista o papel principal em uma montagem de Lago dos Cisnes, substituindo Beth (Winona Ryder), a estrela da companhia. Na preparação, Nina desempenha bem o papel do doce Cisne Branco, mas tem dificuldade em encontrar a sensualidade e a agressividade para interpretar o Cisne Negro. Além de sua preparação física, Nina enfrenta problemas pessoais devido ao complicado relacionamento com a mãe  e com o diretor criativo da montagem. Mas é somente após a chegada de uma nova bailarina na companhia, que Nina perde seu controle emocional.


O grande mérito do filme é o impacto que ele causa no espectador. Talvez esta seja a proposta de todos os projetos dirigidos por Darren Aronofsky, de “Pi” à “Réquiem para um Sonho” e “A Fonte da Vida”, seus trabalhos apresentam características que intrigam o espectador. A história de "Cisne Negro" é original e trabalha o tempo todo entre dois extremos: da elegância a ousadia, da inocência a sexualidade, da realidade a ilusão, da fragilidade a agressividade.

A direção de Darren Aronofsky cai nesses extremos. O cineasta consegue mostrar delicadeza nos momentos iniciais, mas ao decorrer do filme as cenas se tornam mais escuras e tensas. Não é um trabalho fácil retratar características tão opostas em uma só produção e fazer com que elas interajam no final do filme. O cineasta também demonstrou esperteza na hora de filmar as cenas de dança, trabalhando muito as imagens refletidas em espelhos. Sua câmera se transforma em uma testemunha das transformações da personagem principal, procurando as reações de Natalie Portman desesperadamente e causando uma sensação que beira a claustrofobia.

A seqüência inicial que retrata o grande sonho de Nina é simplesmente fabulosa. A câmera acompanha todos os movimentos da bailarina em um ritmo tão angustiante quanto a coreografia, porém nenhum movimento fica de fora, compensando todo o esforço de Natalie Portman em praticar balé para o filme. A fotografia também é belíssima, tons de preto e branco dominam o filme, junto do cinza e do rosa pálido.

É inevitável cogitar a possibilidade de Natalie Portman ser a grande vencedora do Oscar por seu desempenho em "Cisne Negro". A atriz nunca brilhou tanto em um filme, Portman é tão perfeita quanto o desejo de sua personagem. Esqueçam aquela imagem delicada que a atriz vem interpretando ao longo dos anos. Além de convencer com suas técnicas de balé, Portman se deixou levar na obsessão de Nina e nunca esteve tão vulnerável em frente das câmeras. Uma atuação digna de prêmios, para o desespero de Annette Bening.
As atuações de Vincent Cassel e Barbara Hershey também merecem destaque. O galã do cinema francês é mais conhecido por interpretar vilões no cinema norte-americano e devemos agradecer Darren Aronofsky por lhe entregar este personagem. Thomas Leroy é perfeccionista, direto e fabuloso, praticamente a "Miranda Priesley" do balé. Vincent Cassel domina cada cena e entrega ótimos diálogos, criando grandes momentos de tensão com a personagem de Natalie Portman.

Também não posso deixar de comentar sobre a atuação de Barbara Hershey, que interpretou a estranha mãe de Nina. Suas expressões faciais eram muito intensas e pesadas, transmitindo uma energia negativa que se acumulou até os momentos finais do filme. Mila Kunis também conseguiu provar seu talento ao lado de Natalie Portman e Winona Ryder deu o ar da sua graça em "Cisne Negro" como a rancorosa ex-bailarina, Beth Mcintyre.



nanomag

Publicitária, cinéfila e blogueira nas horas vagas. Vivo em Curitiba, sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.


10 comentários on “Crítica - Cisne Negro (Black Swan - 2010)

    1. Estou salivando por Black Swan... Aronofsky, Portman, Oscar...2011 já tem candidato a filme do ano!

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    2. Minha leitura é muito, senão toda, diferente da tua. Contudo, concordamos em um ponto: BLACK SWAN é uma opra-prima de primeiríssima grandeza!
      Grande abraço.
      ;)

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    3. Estou ansiosíssimo para conferir essa fita. Aronofsky é dos mais estimulantes realizadores contemporâneos e filmes como REQUIEM FOR A DREAM ou mais especialmente THE FOUNTAIN figuram entre os meus filmes favoritos e entre os melhores da década passada.

      Cumps.
      Roberto Simões
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    4. Filmasso Cisne Negro, a Portman impressiona. Como só vai estrear em fevereiro será um dos melhores de 2011.

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    5. Este filme é muito comentado. Quero assisti-lo!

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    6. É um filmaço!

      A película favorita deste ano!

      O filme tem um pouco de All About Eve com o melhor de um filme B de horror.

      Abs.
      Rodrigo

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    7. Como assim? O filme só estreia em fevereiro...

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    8. Estou muito ansioso por esse filme... espero não me decepcionar!

      Um grande abraço...

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    9. Eu tinha altas expectativas com o filme e ele não me decepcionou. Tô na torcida Portman e Aronofsky para o Oscar.

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    10. Eu ri com "Miranda Priesley" do balé....toda razão

      Portman de fato DÁ SHOW em cena, o trabalho corporal dela esta fantástico.

      Diferente do último que vi com ela o insoso Brothers.Ela até se esforça, é motivo pra ver o filme, mas a história fraca derruba com força os três alí.

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